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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Privilégio


Amigos. Passamos o ano todo mantendo contato virtual. Eu escrevendo minhas mal traçadas linhas – como diz a canção de Erasmo Carlos – e vocês lendo-as, muitos as comentando. Para mim foi um convívio extremamente gratificante, por várias razões.

De um lado porque o acolhimento que recebi do site me ajudou, em muito, a minimizar a saudade que tenho do meu clube de coração. Minimizar a saudade do sentimento que tenho quando estou no estádio, do qual conheço cada canto e até o cheiro e hoje vejo muito mais pela televisão. Ajudou a diminuir a saudade da alegria de ver pessoalmente a torcida que, na minha ótica, é a mais vibrante do país, contentando-me em vê-la pela TV (nesta, pelo menos posso ver “replays”).

De outro lado porque, pela responsabilidade de titular de coluna, me tornei mais assíduo na leitura dos jornais curitibanos e, se já o fazia antes, desde então continuei a assistir todos os jogos da Copa do Brasil e do campeonato brasileiro, isso quando não pude ir a Curitiba. Aliás, uma boa notícia: finalmente consegui contratar com a Sky a transmissão do campeonato paranaense, livrando-me de ver os jogos pelas deficientes imagens da internet.

E mais ainda gratificante foi por poder interagir com centenas, senão milhares, de coritibanos que me honraram com comentários às colunas. Comentários de todos os tons. Alguns elogiosos, outros elogioso com ressalvas, um tanto lembrando de argumentos que não me ocorreram, outros ainda fortemente discordantes, dentre estes uns poucos (muito pouco) até tanto agressivos, mas sem nenhum com desrespeito pessoal. Tudo dentro do sagrado direito de divergir. Digo com honestidade que a todos li e sobre todos refleti. Os elogiosos para me incentivar, e os discordantes para me fazer pensar, às vezes até mudar em parte algum entendimento, e também para servir de contraponto aos elogiosos para que nenhuma soberba – o melhor caminho para o erro por autossuficiência - me acometesse.

Enfim, amigos, não só foi gratificante como foi um privilégio conviver com vocês em 2011, ano em que tivemos muitas glórias e algumas decepções, mas quando, sem dúvida voltamos a nos orgulhar do nosso clube e a não nos dar por satisfeitos com pouco.

Agradeço o convívio e a leitura com que me distinguiram e espero que em 2012 continuemos esse convívio virtual, melhor ainda se quase só para celebrar glórias e mais glórias do nosso amado Coritiba.

Um abraço fraterno e feliz 2012.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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