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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Trégua



Ninguém está plenamente satisfeito com a atual equipe do Coritiba. Tenho lido os comentários dos Coxanautas – às vezes somando centenas como foi em relação ao último editorial - e vejo sérias divergências entre os coritibanos que acessam o sítio (aliás, são milhares, o que mostra sua credibilidade e importância). Para alguns, o time é péssimo e a segunda divisão do campeonato brasileiro estaria logo ali adiante. Para outros, o culpado seria o técnico, cuja troca representaria uma solução mágica, enquanto alguns dizem que a culpa seria do elenco, que não se aproxima daquele do ano passado e não foi reforçado. Outros tantos dizem que não é bem assim, e que com alguns poucos reforços o time se encaixará e deslanchará. E outro tanto mostra otimismo e fidelidade, afirmando que acreditam, sim, no atual time. Todos têm argumentos e, salvo quando não mantêm nível de civilidade – o que felizmente é raro – devem ser respeitados. Divergências são democráticas e o exercício delas leva a soluções.

Não é diferente na crônica esportiva, onde as opiniões se dividem tal e quais as dos Coxanautas.

Eu também não estou lá muito satisfeito, o que pode ser constatado das minhas últimas colunas, onde fiz críticas diretas ou indiretas, mas sempre leais e respeitosas.

Desde o jogo contra o Corinthians genérico, onde foi repetida má apresentação do time, tratei de deixar “baixar a poeira”, ler tudo o que se escreveu no sítio, inclusive os comentários, bem como nos jornais on line, e ouvir o que se disse em emissoras de rádio e refletir. Se fosse escrever logo após o jogo, a emoção, creio, me levaria a um texto negativo.

Pois bem, e desde já justifico o título da coluna. Penso que todos os que estão inconformados, total ou parcialmente, mais ou menos, devemos dar uma trégua à equipe, diminuindo a carga de críticas que já foram sentidas pelo elenco como se viu de recente entrevista do Emerson e, principalmente, cessando as vaias e refrãos (o plural correto é este) negativos durante as partidas. A direção e a comissão técnica também já sentiram o que está ocorrendo e julgo que estão pensando em soluções. De lembrar que o presidente Vilson nos tirou de uma situação catastrófica de desastre incomensurável, merecendo crédito o seu empenho e trabalho, pois pelo que já fez certamente muito ainda fará.

Os amigos sabem que moro em Porto Alegre onde, ainda com bem menor intensidade, acompanho os jogos dos clubes locais – na verdade não chego a assistir às partidas, salvo as decisivas e quando o horário não coincide com jogos do Coritiba. Vejam então estes exemplos. O Internacional, time que está na Libertadores e que conta com jogadores em nível de seleção, inclusive a argentina, jogando completo, em casa, esses dias teve enormes dificuldades para vencer o Ypiranga de Erechim por um gol de diferença. O Grêmio, do Vanderlei Luxemburgo, por sua vez, há poucos dias, já nos acréscimos do tempo de jogo “achou” um gol que lhe permitiu vitória sobre o Cerâmica. Os amigos sabem que equipe é essa, o Cerâmica? Sinteticamente informo que tem poucos anos e foi criada por funcionários de uma fábrica... Aliás, aqui o campeão do primeiro turno foi o Caxias.

Então, partindo desses exemplos, podemos concluir que todas as equipes brasileiras – vide os resultados que às vezes ocorrem em São Paulo e no Rio de Janeiro – enfrentam dificuldades nos seus campeonatos locais, e as que o Coritiba encontrou em algumas partidas, se em parte se deveram às suas atuações, o que é inegável, o fato é que, salvo aqui ou ali não existem mais equipes que não dificultem os times grandes ou até que não os vençam de vez em quando.

Assim, como ainda dá tempo para melhorar a equipe e alcançar o título do segundo turno e na sequência o campeonato estadual e como logo iniciaremos a Copa do Brasil e logo em seguida o campeonato brasileiro, penso que devemos dar crédito ao clube, ainda que temporário e mesmo mostrando inconformidade aqui ou ali, mas de modo menos virulento como alguns fazem ou como se fosse a pior equipe do Brasil ou do mundo. Tampouco desqualificando totalmente a equipe, o que atingirá a auto estima dos jogadores, pelo menos aqueles que têm o que dar, pois de alguns não há mesmo o que esperar.

Já fizemos todas s reclamações possíveis, o time foi vaiado no curso e após o jogo contra o Toledo. Agora, até para mostrar que nossa torcida não é fiel só nas vitórias e conquistas, vamos tratar de incentivar a equipe, o que provavelmente será fator importante para que melhore. Vamos ter uma visão crítica, mas esperançosa. Se ainda assim não houver progresso em tempo razoável, então estaremos mais autorizados a lançar as inconformidades. É o que proponho aos amigos.

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A partir de hoje, minhas colunas serão encerradas com a seguinte frase:

Sou sócio, ajudo a construir o meu Coritiba.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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