Uma exibição (quase) de gala
Primeiro há que se elogiar o primoroso primeiro tempo da equipe que não tomou conhecimento do adversário e ao natural, passeando em campo, fez três gols, através daquele que denominei, na última coluna, como “Rei Davi”, do “Kill, Bill”, na feliz expressão do colega Gibran Mendes, e mais um pelo grande achado para nossa zaga que é o Ermerson.
O time se deslocou em campo como um corpo de balé bem ensaiado, não tomando conhecimento do adversário – que cada vez mais se encaminha para o seu triste destino que um dia vou abordar em outra coluna – e se o jogo terminasse após os primeiros 45 minutos teríamos feito economia com a lavanderia pois Edson Bastos nem suou a camisa. Sofremos três perdas por lesões que preocupam para o jogo contra mais um dos tantos atléticos deste Brasil, desta vez o goianense, mas os que entraram mantiveram o nível e a equipe continuou a mandar no jogo, só não ampliando o placar por infelicidade – às vezes inabilidade – do Marcos Aurélio e do Anderson Aquino, isso sem contar com a equivocada anulação do que seria nosso quarto gol antes da reação deles. A televisão deixou claro que não havia impedimento.
Enfim, uma grande exibição, cujo placar ficará na história.
Mas amigos, sem querer sem exigente demais e nem mesmo pessimista – o que decididamente não sou – mas apenas visando ajudar aos que pensam o Coritiba, dois aspectos precisam ser ponderados para aperfeiçoar a equipe, principalmente por se saber que em dois meses inicia o campeonato brasileiro.
O primeiro deles é anímico, no sentido da necessidade da manutenção de uma certa frieza – “certa” frieza, pois há que se jogar também com o coração – após ficar com folga no placar. O time tem se descuidado, não agindo de forma calculada para manter o domínio da bola e o adversário longe da área, como se a partida já estivesse ganha nos primeiros quarenta e cinco minutos, e também tem entrado no embalo da torcida que, tanto no atleTIBA como hoje após os 3 x 0, passou a pedir “olé”. Aliás, rapaziada, vamos combinar e deixar para pedir “olé” quando o placar estiver bem garantido e poucos minutos faltarem para o encerramento do jogo. Este aspecto pode ser corrigido com uma boa conversa, talvez até com intervenção de profissional da área de psicologia, bem como de alguma liderança dentre os que estão em campo e que não deixe o time perder o foco.
Esta atitude é uma das razões do segundo problema, as dificuldades da zaga. Como há um desligar do meio para a frente, o adversário cresce e vem para cima o que nos tem criado dificuldades para garantir o placar e para a saúde de torcedores cardiopatas como este que assina a coluna. Emérson tem sido quase irrepreensível, mas Pereira nem tanto pois quando o adversário o afronta com a bola dominada ao chão tem dificuldades; não há dúvida de que tem qualidades na antecipação e nas bolas altas (as bem altas, pois as de meia altura se mostram difíceis para ele). Mas Jeci, em que pese seja uma boa pessoa, há muito tem deixado a desejar e com franqueza não confio nele. Ontem, por exemplo, percebi claramente, e revejam nos programas esportivos se não perceberam, que no primeiro gol deles Rafinha estava marcando o jogador que preparava a jogada, enquanto que o que esperava o passe não tinha nenhuma marcação, embora estando Jéci há dois metros dele sem marcar a ninguém. O segundo gol do adversário eu não pude assistir, pois o sinal da transmissão infelizmente caiu logo após, quando passei a acompanhar pelo rádio, mas neste ouvi que Edson Bastos reclamou muito da defesa. A verdade é que contra um time de baixa qualidade, como é o Paraná Clube, que desde o início do campeonato ronda a zona do rebaixamento e que chutou em gol praticamente só as bolas que entraram, jamais poderíamos tomar dois gols, assim como não poderíamos ter tomado dois do Operário em cinco minutos e dois do Atlético em três minutos (desconsiderado o intervalo). Se tomamos dois gols do Paraná, como enfrentaremos os ataques do Santos, do São Paulo e do Cruzeiro, este uma máquina de fazer gols?
Dá para conquista o estadual assim? Claro que dá e até com folga, pois o time é muito bom e as falhas são corrigíveis. Mas para o Campeonato Brasileiro, se quisermos ser protagonistas e não meros coadjuvantes, são imprescindíveis dois reforços de qualidade para a zaga. E ia esquecendo: mais um atacante de ofício, pois embora estejam bem são poucos e estamos com dois lesionados, o que pode se repetir no campeonato brasileiro, que é muito longo.
Ah. E mais uma coisa. O Marcos Aurélio tem que parar de se preocupar em ser o craque do jogo, exagerando na invidualidade e nos chutes de longa distância. Jogando o que sabe, sem enfeites e excessos de personalismos, ele será o craque do jogo naturalmente pois tem futebol e potencial para isso, tanto que até alguns jogos atrás sempre foi o melhor em campo.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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