Abuso de poder
Mas o Coritiba parece que não entendeu bem o regulamento e o descumpriu , vencendo os dois turnos por antecipação e não se deixando derrotar pelo menos uma vez para dar alguma alegria aos adversários ou ao esforçado rival maior. Exagerando, conseguiu ter o maior ataque e a melhor defesa da competição, bem como o artilheiro do campeonato e, se no início deixou alguns poucos pontos em dois empates, no mais só vitórias, tudo de modo a torná-lo campeão paranaense invicto e por antecipação. Enfim, foi insaciável e nada deixou para os outros. Corrijo, deixou uma conquista para o rival, qual seja o primeiro lugar em número de pênaltis marcados.
E não satisfeito, alcançou o recorde brasileiro de vitórias consecutivas com a goleada no atleTIBA pascal.
Mas o que foi isso? Então o Coritiba não atendeu ao que foi combinado e ao desejo da FPF não permitindo duas emocionantes finais, prejudicando os cofres da entidade? E a televisão, que investiu tanto para transmitir os jogos e esperava alcançar altíssimo Ibope com as finais, fica também com o prejuízo? Por que o Coritiba não permitiu emoções – senão negativas – para os outros clubes? Por que criar ilusões em adversários deixando que fizessem alguns poucos gols, especialmente nos clássicos, para depois serem goleados? E no último jogo, quando lhe bastava um mero empate, o Coritiba tripudia e dá uma goleada no pobre rival, não respeitando nem mesmo sua casa? E logo no domingo de Páscoa, quando todos têm o dever ser caridosos, mesmo com os inimigos? Afinal, isso é modo de tratar os confrades? Que maldade e, como dizem os meus amigos gaúchos, que barbaridade!
Temo que, por assim agir, algum Procurador do TJD denuncie o Coritiba por abuso de poder por humilhar os adversários e por dar prejuízo financeiro à FPF e à TV.
Se assim acontecer, provavelmente o Coritiba será condenado a doar cestas básicas para os adversários, compostas por caixas de lenço de papel para enxugar lágrimas, panos pretos para guardar luto, gel para tirar dor de cotovelo e, para o segundo colocado, acrescida de três ovos de chocolate e um calendário do ano de 2021 (final, estão dez anos na frente...).
A coluna de hoje serve para mostrar aos amigos leitores que idade e formação profissional não são sinônimos de sisudez, ainda mais quando se trata de futebol e a paixão e a euforia nos dominam. Exagerei na dose? Se sim relevem, mas com uma conquista de tal tamanho como a do Coritiba em 2011, este é um dos poucos momentos em que se pode assim agir, dando preferência total para emoção e alegria sem medo de censura. Se não por outra razão, certamente “eles” merecem o tom da coluna.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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