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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

A era do rádio.

A era do rádio.
No dia 02 de setembro de 1934, há exatos 89 anos de hoje, aconteceu em Curitiba a primeira transmissão radiofônica de um jogo de futebol.

Foi em um clássico atletiba, cujo resultado foi 1 x 1, no estádio Joaquim Américo, através da Rádio Clube Paranaense, a PRB-2.

Para a novidade foi improvisado um “estúdio”, como se vê na foto, e as ondas do rádio foram conectadas a um alto-falante na Praça Tiradentes.

A minha geração viveu o que chamo de “era do rádio”, quando os jogos de futebol eram transmitidos com singular emoção e por muito tempo eram a única opção para quem não podia ir ao estádio. Foi pelas ondas curtas da B2 que acompanhamos, por exemplo, as excursões do Coritiba ao exterior, na voz do Ney Costa, assim como a conquista do Torneio do Povo em 1973. Aliás, nomes icônicos passaram por seus microfones, como Willy Gonser e Lombardi Jr, cujas transmissões eram emocionantes e faziam-nos transplantar mentalmente para os estádios.

Quando vim morar no interior do RGS era pelas ondas curtas da B2 que acompanhava os jogos do Coritiba. Morei por algum tempo em uma cidade na fronteira com a Argentina e mesmo lá conseguia captar a nossa extinta PRB-2 para torcer pelo Coritiba. Na decisão do campeonato estadual de 1978 o sinal não estava muito bom e então liguei o rádio no carro e me desloquei pela cidade até encontrar um ponto alto onde melhor ouvia. Dizem que alguns moradores pensaram que havia um maluco dentro do carro, que saltava e urrava nas cobranças dos pênaltis que ao final nos deram o título.

A Rádio Clube Paranaense, popularmente conhecida como a “B2”, que tinha o jargão “a rádio gol do Brasil”, fez história em nosso Estado e no país. Infelizmente a modernidade das transmissões pela TV deixaram em segundo plano as radiofônicas e a PRB2 encerrou as suas atividades em agosto de 2022.

Coincidentemente – ou quis o destino – na mesma data de hoje a Rádio Band B anunciou que estava encerrando as transmissões de jogos de futebol. Cada vez menos emissoras de rádio transmitem jogos de futebol, e as que o fazem não trazem para o ar as emoções que vivemos um dia. Realmente em se tratando de futebol a era do rádio está morrendo aos poucos.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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