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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

À espera de um milagre.

Diante da situação crítica que vive o Coritiba, com ínfima e quase nenhuma chance de conseguir o acesso à primeira divisão, o técnico Jorginho, o iluminado, disse não jogar a toalha a esperar que aconteça um milagre, através de nada menos do que sete ou oito vitórias nos últimos jogos que restam, ou talvez sete vitórias e um empate.

Milagres, sabemos, são acontecimentos extraordinários, sem explicação científica ou sem conformidade com o curso humano dos acontecimentos. Os religiosos os consideram como decorrentes de intervenção divina.

Não vou ingressar em discussão filosófica ou teológica, até porque não tenho capacitação para tal, mas o certo é que milagres são eventos excepcionais que não podem ser projetados para o futuro e que constituem a esperança dos homens diante de situações aparentemente irreversíveis, tal como acontece com doentes graves ou terminais que anseiam por cura, mesmo que a ciência os tenha desenganado.

Pois o Coritiba atual é um doente grave, não diria terminal, mas perto disso, e quando se aproxima o seu 115º aniversário de fundação está em condição tal no campeonato da segunda divisão que só mesmo sucessivos eventos extraordinários, contrários à ordem natural dos acontecimentos, poderiam salvá-lo de mais um ano fora da elite do futebol.

Penso que mesmo quem acredita na interferência divina, considerando o que o Coritiba mostrou neste ano, desde o campeonato paranaense, pode acreditar que o desejado milagre aconteça. Se fracassamos na disputa estadual, fomos eliminados na Copa do Brasil na primeira fase, e nunca mostramos um futebol minimamente esperançoso no campeonato da série B, não há paixão ou crença que possa sustentar tal esperança.

No próximo sábado o Coritiba aniversaria, mas quase nada tem a festejar, salvo sua história remota. Será o “Coxa Day”, com inauguração do “Coxa Sports Bar”, o que me leva a pensar quando será o “Winner Day” ou o “Champions Day”, para usar do modismo do uso de expressões alienígenas que contaminaram a comunicação do clube. Espera-se que o Coritiba trate de vencer no dia seguinte ao da comemoração (?), assim como algumas outras partidas seguintes, para se garantir na série B, e que no próximo ano os executivos da SAF que nos comandam tratem de refletir sobre tantos erros – o que já deveriam ter feito em face do fracasso de 2023 – e o nosso clube volte a nos dar alegria e esperança.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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