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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

A estratégia da avestruz.



É comum ver nos desenhos animados a conduta da avestruz que, diante de algum perigo, esconde a cabeça em um buraco, como se isso a livrasse da ameaça. A ciência diz que não é bem assim, mas a imagem se popularizou nesse sentido.

Lembrei disso ao saber que a direção do Coritiba proibiu o treinador do time de conceder entrevista ao nosso site, provavelmente insatisfeita por não ser um meio de comunicação “chapa-branca” e que ecoa a inconformidade da torcida com a má gestão do clube no que se refere ao futebol, sua finalidade.

Trata-se de um proceder não democrático, que encerra censura indireta a meio de comunicação. Aqui não se trata propriamente de agressão à liberdade de imprensa – que no meu entender não é absoluta – mas de cerceamento indireto do exercício da liberdade de expressão. Se o time vai mal e o Coxanautas assim escancara, a solução da avestruz é se esconder e só aparecer para quem é compreensivo. Se a voz da torcida ecoa aqui, pois nos demais meios de comunicação não há canal para isso, cale-se a torcida calando o Coxanautas. Se os editores do site podem fazer perguntas difíceis, melhor que ninguém as responda.

É o agir, guardadas as proporções, que a história mostra em relação ao rei persa Dario III, que ao receber uma mensagem da qual não gostou mandou matar o mensageiro.

O Estado democrático de direito que rege o nosso sistema pressupõe, dentre outros quesitos, a livre divergência e o debate entre ideias, sempre, claro, de modo altaneiro e com objetivo do bem comum. No caso do Coxanautas, nunca os editores tiveram outro modo de conduta e o seu objetivo é o bem do Coritiba (a propósito, todos os amigos sabem que os colaboradores do site não são remunerados?). Pode ter certeza a direção de que se o site entrevistar algum integrante do departamento de futebol ou mesmo jogador, jamais o fará de modo desrespeitoso ou parcial. Apenas visará esclarecer a torcida, o que as poucas entrevistas conduzidas da direção não têm feito. As opiniões expressadas no site não são corretas? Pois então democraticamente venham aqui expor, espaço não faltará.

Negar espaço a quem pode pensar diferente nada mais é do que proceder absolutista, longe de ser democrático.

Essa atitude há muito vem sendo tomada pelo comandante do nosso maior rival, com vedação a jornalistas e órgãos da imprensa que não se são do seu agrado, proceder que gera reprovação quase unânime. Se a nossa direção quis copiar o rival, deve atentar que diferença é que lá, gostemos ou não, o futebol do clube tem sido bem sucedido.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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