Logo COXAnautas

Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

A raposa e as uvas.


Tendo ido a Curitiba para acompanhar a linda festa alviverde (saí para buscar o título e voltei com a faixa no peito) vi um time mostrando bom futebol e garra e a torcida um emocionante espetáculo de cores, gritos, bandeiras e faixas. Só agora, ao retornar para casa, tive um computador ao meu alcance e por isso chego com um pouco de atraso para comentar a conquista.

Um belíssimo domingo, com temperatura amena e sol, mostrando que a natureza estava enfeitada para ver o grande campeão. Uma belíssima apresentação, valorizada pelo rival que procurou jogar o que sabia e o que não sabia tentando desmanchar uma vantagem “indesmanchável”.

Algumas apresentações de gala, como as do Kléber, do Anderson e do Wilson, e outras tantas seguras.

Claro que a euforia não pode permitir que se afaste um olhar crítico para algumas carências e sobre as nossas possibilidades no campeonato nacional, mas hoje devemos apenas nos alegrar, deixando para depois - embora a disputa esteja logo ali e o calendário do futebol seja dinâmico - a análise do time na relação que terá no enfrentamento dos maiores clubes do Brasil.

Mas vamos ao título da coluna.

A raposa e as uvas é o nome de uma fábula de Esopo, reescrita por La Fontaine. Nessa historinha, uma raposa encontra um parreiral com lindos cachos de uvas e resolve comê-las. Mas por mais que tente, aos pulos, alcançar as uvas, não consegue e se retira dizendo “Afinal, as uvas estão verdes, não me servem”. A fábula, como todas, traz uma lição. Neste caso, para a soberba e as ambições não alcançadas, quando alguns, sem conseguir o resultado que buscavam, desprezam a possível conquista como se isso as isentasse do fracasso.

A lição se aplica exatamente ao falastrão técnico do adversário e a sua direção. Aquele, por dizer que o campeonato estadual não lhe interessava e não honrava o seu currículo e a última por se negar a receber a premiação de vice-campeã. Mas já não tinham até faixas comemorativas do tentado bicampeonato como se viu nas arquibancadas no primeiro atletiba e as redes sociais foram pródigas em mostrar?

Não alcançaram as uvas, a conquista, e como a raposa tergiversam dizendo que afinal o título perdido não lhes interessava. Acredite quem quiser.

Na próxima coluna, farei avaliação do time para o campeonato brasileiro e vou dar a minha opinião sobre a efetivação do Pachequinho como técnico.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
Ver comentários (28)
Link copiado para a área de transferência