A reforma do estatuto e o vexame em Ponta Grossa.
Poucos talvez saibam dizer a razão de terem assim votado. O projeto era constituído de um longo texto, talvez prolixo, ao qual poucos tiveram acesso, e mesmo o tendo poucos leram. Era ruim? Não atendia aos anseios dos coritibanos? Tinha dispositivos inapropriados?
Talvez ninguém possa dizer com segurança, pois na verdade, ao menos é o que penso, a rejeição foi muito mais um protesto diante do estado de coisas que reina no Coritiba.
Futebol cada vez mais decadente e perdedor, ausência de perspectivas, SAF não cumprindo o mínimo que se lhe exigiria – até agora, ao que parece, trabalhando somente com as receitas que o próprio clube/associação gera – e desconsideração com a torcida que de muito pouco é informada (não sabemos nem quais são os “donos” do clube).
Assim, por adequado que talvez pudesse ser o projeto de reforma do estatuto, o que o associado/torcedor fez, no meu ver, foi protestar e dar um alerta aos distantes empresários da Treecorp e ao representante da associação no empreendimento, mostrando a sua insatisfação. “Parem, vocês estão lidando com um clube centenário, cuja história remota é linda e que tem uma torcida atuante. Respeitem-nos e à nossa história. Queremos um Coritiba grande e respeitado novamente”.
E a propósito do vexame ontem em Ponta Grossa, antes vou lembrar que foi lá que o Coritiba fez o seu primeiro jogo na história, aliás, o primeiro jogo do futebol paranaense. No dia 24 de outubro de 1909, o recém fundado “Coritibano Foot Ball Club”, nome que poucos dias depois foi atualizado para o atual, enfrentou o Foot Ball Clube Pontagrossense, gênese do Operário, sendo derrotado por 1 x 0 após viajar de trem para aquela cidade. Considerando o jogo histórico, seria a disputa e rivalidade mais antigas do futebol estadual, na qual o Coritiba tem larga vantagem de acordo com os “Helênicos”: quarenta e nova vitória contra dezoito derrotas.
Pois bem, ontem o atual Coritiba – ou o que parece estar restando dele – deslustrou essa bela história, fazendo uma apresentação pífia, covarde, vexatória, indigna de um clube que já foi respeitado e temido. Vencendo razoavelmente bem a partida na primeira etapa, agiu tal e qual um timinho interiorano pequeno, recuando total e absurdamente, de modo a fazer o adversário crescer e mostrar brio que falta ao atual time coxa-branca.
Uma vergonha a conduta que o Coritiba adotou e tem adotado, sempre por inspiração do medroso Jorginho, agravada pela desqualificação do plantel.
O ano há muito está perdido, o resultado de ontem foi somente o que o lugar-comum denomina de “pá de cal”. Nada mais a dizer.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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