Adiamento das eleições e prorrogação de mandatos.
Antes de mostrar o que penso sobre o assunto quero louvar a mesa diretora do Conselho Deliberativo do clube que, à vista de pedido formulado por alguns conselheiros no sentido de que o próprio órgão definisse o adiamento das eleições e a prorrogação dos mandatos, entendeu que o tema deveria ser analisado e decidido de modo democrático, qual seja em assembleia geral dos sócios, tal como previsto no estatuto, por se tratar de busca de reforma deste, a qual só pode ocorrer através órgão associativo maior, na linha do pensamento que já manifestei aqui.
Pois bem, sou contra tanto o adiamento do pleito como a prorrogação do mandato, e assim vou votar. Os argumentos dos que defendem a ideia até aqui não me convenceram.
Dizer que se a disputa ocorrer na data prevista pelo estatuto isso poderia ocasionar prejuízo ao clube, pois se estaria na fase final do campeonato brasileiro, é desconhecer que, com tudo o que a atual gestão mostrou, o risco de perda é maior em estando ela no comando. Se o Coritiba vier a ser novamente rebaixado (vade retro), o ônus sempre será do grupo que esteve no poder nesses três anos e não do que assumir. E se os atuais dirigentes são bem-intencionados (e não duvido que sejam, embora maus gestores), jamais iriam deixar de querer salvar o que restar da gestão, independente de que seja o vencedor do pleito. Além do mais, com a eleição no final de fevereiro ou em março é certo que a campanha eleitoral, já deflagrada (embora por enquanto com pré-candidaturas e sem apresentação de chapas), estaria no auge um mês antes das eleições, em momento que poderá ser decisivo para a classificação do time, e aí sim a cizânia se daria em momento crítico.
Não custa lembrar que outros clubes também têm eleição para o final deste ano, e não se vê notícias que que pretendam adiá-las a pretexto de “salvar” o campeonato. Assim acontecerá com Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Corinthians, Goiás, Internacional, Santos, São Paulo, Sport e Vasco da Gama, onde os atuais mandatos terminam em dezembro. Nas buscas que fiz não encontrei notícia de adiamento e prorrogação de mandatos desses clubes, pelo contrário, muitos têm data confirmada.
E não concordo com a opção de que que se mantida a data da eleição como atualmente prevista pelo estatuto, os novos mandatários só assumam após o final do campeonato brasileiro. Se a data das eleições for jogada para o final do campeonato, por óbvio a posse dos eleitos deverá se dar depois. Mas se a decisão da assembleia geral for pela manutenção da eleição na data estatutariamente prevista, sem dúvida a posse dos novos dirigentes deve ser também na ocasião tradicional. Parece-me ilógico e antinômico querer a eleição já em dezembro, mas a posse somente depois de três meses
O artigo 105 do nosso estatuto, em seu parágrafo primeiro, prevê que os mandatos tenham três anos de duração. Se a opção for por realizar a eleição e consequentemente a posse só no final do campeonato, ter-se-á a decisão como criadora de disposição transitória, a vigorar só agora, no que não vejo maior problema. Mas repito, se a decisão for pela eleição na data estatutariamente prevista, não terá sentido alterar a da posse e nem o encurtamento do futuro mandato.
Mas ainda é tema para debate, talvez quase tão intenso como será o da disputa eleitoral propriamente dita. Como sempre, estou aberto a ouvir argumentos contrários aos meus.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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