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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Ah, mas era o Santos.

Tivemos uma apresentação razoável contra o Santos, em que pese pudesse ser melhor.

Desta vez a defesa se portou bem e depois de muito tempo não tomamos gol. A meia cancha ainda é um ponto fraco, uma vez que o Galdezani está confirmando que foi apenas um cometa que logo caiu. A entrada do João Paulo pouco somou, mas se nada jogou e pouco participou pelo menos desta vez não entregou bolas fatais para contra-ataques dos adversários (na verdade, para não desfazer a sua fama entregou uma, mas logo nos recuperamos). O único que anda bem é o Alan Santos, que ontem não só desarmou como criou e teve uma excelente oportunidade de gol impedida pela trave. O ataque foi inoperante, salvo uma boa oportunidade do Iago, mas no mais as chances de gol foram originadas por chutes do Alan Santos e do Carleto, enquanto Alecsandro foi o mesmo de sempre e o Neto Berola uma decepção, com marcante egoísmo em uma bola que deveria ter entregue para o companheiro mas preferiu chutar o ar bisonhamente.

Ao final do jogo, o Marcelo Oliveira afirmou que considerando o potencial do Santos foi um bom resultado. Transitando por rádios de Curitiba logo após o jogo, ouvi um comentário no sentido de que o resultado era positivo, pois “afinal, era o poderoso Santos”.

Sim, o Santos é um clube poderoso, detentor de inúmeras glórias desde o tempo do Pelé. Mas tanto ou quase como ele são outros onze clubes do atual campeonato. Então, sempre que empatarmos em casa com qualquer um desses o resultado pode ser considerado bom?

Ora, amigos, isso é o que o Nelson Rodrigues denominava “complexo de vira-lata”, que a seleção brasileira só superou em 1958. Ou seja, pensar pequeno e valorizar demais o adversário. Empate fora de casa contra um dos denominados ou se se dizentes “grandes” sempre pode ser um bom resultado, mas em casa, convenhamos, aceitar como normal é ser submisso e excessivamente humilde. Temos limitações, sim, mas o fator Couto, presente em outras temporadas, deve se impor.

Nada está perdido e tudo ainda é possível (exceto o título não vamos exagerar). Mas não podemos esquecer que em vinte e um jogos até agora tivemos apenas sete vitórias, cinco delas contra times que estão nos últimos lugares (Atlético-Go, Vitória, São Paulo, Chapecoense e Avaí), uma contra um que na ocasião também estava (o Atlético-Pr) e outra contra uma equipe que não está fazendo jus à expectativa do início do campeonato (Palmeiras). Se continuar assim, e se o pensamento for o de considerar empates em casa bom resultado, será muito difícil crescer na tabela.

Mas sempre há esperança. Kléber deverá voltar – e espero que jogue a vida para compensar a bobagem que fez desfalcando o time por tanto tempo – Anderson retornou e Werley logo voltará, havendo ainda a expectativa dos novos contratados oriundos do Santos. Como, embora mesmo no sofrimento sempre nos iludimos com alguma sobra de paciência e esperança, aguardemos e torçamos.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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