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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Alento.

Depois de duas más apresentações contra o União e o Operário, quando o medo pareceu maior do que a esperança, eis que ontem o Coritiba nos fez começar a sonhar com novos tempos.

É o início de temporada, quando maus e bons resultados podem ser ocasionais e muitas vezes nos enganar. Os primeiro jogos trouxeram algum desânimo, não pelos resultados, e sim pelas apresentações, mas a considerar o de ontem contra o Rio Branco, notadamente na primeira etapa, tudo indica que o time evoluiu e que o Morínigo se aproxima de encontrar a formação ideal.

O uso dos jovens pratas da casa, de forma gradual, é uma experiência que poderá dar bons resultados. Certamente nem todos corresponderão, mas se conseguirmos o sucesso por parte de alguns deles, de modo a que tenham lugar no time ou no banco de reservas, estaremos no bom caminho.

O goleiro Rafael Willian praticamente não foi exigido (deu-me um calafrio a bola que acompanhou com o olhar no começo do jogo, mas isso demonstrou que não sentiu a responsabilidade). Se ele é melhor do que o Muralha, o que não é difícil ser, ainda teremos que nos assegurar, mas em um quesito mostrou que sim, qual seja o modo de sair jogando, pois enquanto aquele parece que pisa em ovos sempre que tem que sair com os pés, o Rafael Willian mostrou frieza e consciência na prática.

Na defesa, todos bem e não propiciando sustos, sendo de ser ressaltado o bom futebol do Val na lateral direita (quem sabe está aí a solução enquanto o Natanael se recupera) e do bravo Gillhermo. O lance em que este, por falta de alternativas, cabeceou a bola no chão, com risco de levar um chute do adversário, como aconteceu, parece indicar que teremos um leão na nossa zaga.

Em que pese Alef Manga, Willian Farias e Léo Gamalho tenham se saído muito bem, destaque mesmo merecem o Regis e o Igor Paixão, que foram exuberantes. O passe – que modernamente se passou a chamar de “assistência” – do Régis para o Igor Paixão fazer o primeiro gol foi sensacional. E este último, além de fazer um belo gol, colocou a bola na cabeça do Léo Gamalho para o segundo tento como se o fizesse com a mão.

Enfim, a esperança parece ter voltado. Vamos com calma e serenidade. Alguns tropeções serão inevitáveis, assim como belas vitórias acontecerão. O importante é o time ter técnica individual aliada à tática e ir crescendo de modo a chegar nos campeonatos nacionais como time competitivo e não mero coadjuvante.

Algumas rápida observações.

O jovem Vinícius Ribeiro parece ter muito potencial, mas tem que aprender a jogar para o time e não para si próprio tentando lances espetaculares.

De repelir a moda que está firmada no futebol brasileiro, quando o goleiro, a cada defesa difícil, se joga no chão e pede atendimento médico, de modo a chamar a atenção da TV e de todos para a sua imagem. Ontem não foi diferente enquanto o jogo estava empatado. A partir do momento em que o Coritiba abriu e ampliou o placar, o inominado goleiro do Rio Branco nada mais sentiu em que pese tenha ainda praticado boas defesas. É um anti-jogo que deveria ser banido do nosso futebol.

Por fim, foi destaque ontem também a ausência do Matheus Salles.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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