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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Antonio Oliveira não é burro.



Avançamos na Copa do Brasil graças a um gol de exceção marcado pelo Alef Manga e competência na cobrança e defesa dos pênaltis.

O resultado decorreu muito mais do acaso do que por merecimento, pois continuamos a jogar mal como em toda a temporada e o Criciúma por pouco não ampliou o placar. Se o fizesse, teria sido uma vitória justa.

Mas o futebol tem dessas coisas, às vezes um time joga muito melhor do que o adversário e não vence, e às vezes ocorre o contrário, como ontem.

A ressaltar na má exibição da equipe a primária falha do zagueiro de oito milhões de reais, o Bruno Viana, a não participação do Robson no jogo (houve um momento em que pensei que tinha sido substituído sem que eu não notasse) e a jornada ruim da meia-cancha, que só melhorou um pouco com as entradas do Andrey e do Régis.

Enfim, estamos classificados para a terceira fase da Copa do Brasil, e o negócio é olhar para a frente, esperando que adiante encontremos alteração na comissão técnica e na direção de futebol. Como fomos até agora com esses que comandam, o futuro é desanimador.

Ontem várias vezes a torcida entoou gritos de “burro, burro” em favor do Antonio Oliveira, notadamente quando tirou do time o Kaio César. Mas ele não é burro, um episódio ao final do jogo demonstrou. É, sim, incompetente, despreparado e arrogante (defeito que leva à teimosia). Ah, e debochado como se viu em sua penúltima entrevista e ontem.

Refiro-me à atitude que teve ao final do jogo em atirar sua camiseta para umas deslumbradas torcedoras e em seguida vestir a de uma torcida organizada.

Certamente pensou que com isso ganhará apoio da torcida, e não duvido que da parte menos lúcida dela possa ganhar mesmo. A torcida organizada se sentirá homenageada e lhe dará uma trégua? Gesto demagógico mas inteligente se considerarmos a repercussão entre torcedores desavisados.

Os torcedores lúcidos, aqueles que acompanham com seriedade o clube, não se iludirão. Um treinador, contratado por prazo longo e por salário alto, que teria indicado tantos jogadores que se mostram fracos, depois de mais de três meses nos entrega um time sem coordenação, com invencionices e derrotas marcantes no campeonato estadual. Até quando teremos que aturá-lo? Ele não pedirá para sair, por mais pressão que sofra, pois se demitido prosseguirá com os seus ganhos e o Coritiba só ampliará o seu passivo, já historicamente onerado e agravado neste ano com investimento – ao que se diz - de vinte e sete milhões de reais, até agora sem bons resultados, o que se aproxima da irresponsabilidade para com o clube.

Fala-se na necessidade de reforçar o elenco, o que é fundamental mesmo. Mas desde que não seja com os critérios errados e até estranhos mostrados até agora. E também sem mudar o comando do futebol. Do contrário cada vez mais vamos ao fundo do poço e não haverá recuperação judicial ou SAF que nos salvem.




Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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