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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Apatia.

Já nem sei o que escrever para debater com os amigos que me honram com acesso. O Coritiba deste ano não nos surpreende, infelizmente a cada jogo nossas esperanças vão desaparecendo e, pior, não vemos no time qualquer sinal de reação, ao menos anímica. Estão todos letárgicos, a começar pelo treinador cuja fisionomia durante e após os jogos mostra bem que nem ele deve ter esperança diante do material humano de que dispõe. O estudo da psicologia ensina que apatia é uma espécie de ausência de sentimentos, emoção e entusiasmo. É o que se vê no time.

Muitos dizem que esse é o pior time da história do Coritiba, e não lhes tiro a razão embora já tenha visto planteis iguais ao longo dos últimos anos e não goste de conceitos absolutos.

Batemos na mesma tecla desde o campeonato estadual, apontamos que o problema do Coritiba era, antes das más qualificações dos jogadores, quem os contratava. Isso parece ter sido visto pela diretoria, que, ainda que tardiamente, dispensou o “head” esportivo que conseguiu trazer personagens como Bruno Vianna e Potker (sem esquecer o Júnior Urso e o seu lance bizarro ontem), dentre outros, mas o impedimento legal do fechamento da “janela” impede que agora se façam contratações. Mas no mais, afora o salutar encaminhamento da SAF, a direção parece mostrar a mesma apatia do time, não se vê – ao menos não é noticiado – alguma providência de vestiário que possa fazer os atletas se empenharem além de suas limitações. E nem mesmo para dar esperança e empolgar a torcida, cujo líder deveria ser o presidente.

E por falar em vestiário, chamou a atenção ontem a não comemoração dos jogadores quando do nosso gol, fato que, somado aos boatos de que teria “quebrado o pau” no vestiário após o atletiba, é muito preocupante.

Acho muito difícil, quase impossível, que consigamos escapar de mais um rebaixamento.

Talvez esteja na hora de usar a filosofia do Tiririca quanto a “pior do que está não fica”, deixando de lado o falido esquema dos três zagueiro e escalando jovens que nunca tiveram oportunidade. Quem sabe a vontade de vencer que devem ter, ao contrário da maioria dos que tem estado em campo, faça o time virar a chave? Claro que para isso tem que concorrer o treinador, cujas reações tem sido desanimadoras, quando dele deveriam vir cobranças e incentivos. Aliás, na situação em que estamos, melhor privilegiar os que têm um pouco de qualidade do que o esquema preferido pelo treinador.

Aliás, que aproveitem a suspensão dos atuais zagueiros e lancem os jovens Jean e Thiago, é quase impossível serem piores do que os atualmente usados. Mas não se duvide se a zaga for Henrique, Victor Luís e Vilar...E decididamente Marcelino e Manga têm que ser titulares desde o início dos jogos.

Futebol se ganha com técnica e raça e às vezes uma supre a outra. Mas quando faltam as duas como vem ocorrendo, é difícil encontrar a solução.

Tal como a maioria da torcida, eu não me entrego, vou cultivando esperança, mas que está difícil, ah isso está.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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