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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Arena atletiba. Diretoria sem legitimidade para decidir.

Depois de apresentadas à torcida coritibana, em meados do ano passado, propostas e projetos para a construção de um novo estádio ou reconstrução do Couto Pereira, vem a diretoria do Coritiba anunciar que está a participar de tratativas, avançadas ao que parece, para venda do atual estádio e associação com o Atlético, com aporte dos resultados da alienação para o rival, passando a realizar os seus jogos na Arena da Baixada que eufemisticamente se passaria a ser denominada de Arena Atletiba.

Repilo a ideia e, ao que vejo das redes sociais, expressiva maioria da torcida do Coritiba, assim como do Atlético, também a rejeitam.

Como preliminar que considero fundamental e se confunde com mérito, observo que a atual diretoria não tem legitimidade – condição que autoriza a agir em determinado sentido - para decidir sobre a venda do nosso maior e histórico patrimônio com consequente absorção de fato do clube pelo Atlético-Pr, pois tal plataforma não constou nos ideários de campanha! A interrogação que lanço é: houvesse a chapa Coxa-Maior anunciado aos associados que tinha como meta a ideia que hoje estão gestando teria sido eleita? Sem dúvida não, teria sofrido uma derrota acachapante. Contraditoriamente, as propostas que levaram os associados a eleger a atual administração nem de perto foram alcançadas, nem preciso apontar os insucessos tantos que foram e são. Em política partidária se costuma dizer que se trata de engano ou estelionato eleitoral e os norte-americanos chamam de “giro político” ou policy switch.

Depois, registro estranheza com a notícia de que em 12 de dezembro último o Coritiba protocolou na Prefeitura Municipal pedido de autorização para demolição do Couto Pereira. A notícia refere que o objetivo seria construir no local um novo estádio, mas ao mesmo tempo não foi protocolado pedido de licença de um novo projeto, mas só o de demolição, o que é incompreensível ao bom senso. Autorizada e efetuada a demolição, como poderíamos ter segurança de que depois haveria como captar dinheiro para a construção do novo estádio? Não haveria então um argumento “ad terrorem” e maquiavélico para dizer à torcida que sem dinheiro para reconstruir não haveria como fugir da proposta do MCP? Não posso presumir isso, até prova em contrário se deve presumir boa-fé, mas que é estranho não se pode negar.

E ao mesmo tempo em que se reúne com o inteligentíssimo e arguto - e ao que dizem diretor inoficioso do Coritiba - MCP, a nossa direção lança notícias esparsas sobre possível novo estádio e as más condições do Couto Pereira. Parece acender uma vela para Deus e outra para o diabo, mordendo e assoprando. A sucessão de notícias não claras, contraditórias e muitas vezes negadas nos deixa confusos.

Muito estranho também que após apresentar aos torcedores e comunicadores, em meados do ano passado, seis projetos para um possível novo estádio, ainda em agosto a direção do Coritiba estivesse estudando proposta de estádio único com o senhor do Atlético, então não para vender o nosso e aportar os recursos para o rival, mas sim visando a que no local do Couto Pereira se erguesse um empreendimento comercial para exploração de jogos depois de legalizados, “hard rock” e hotel, com parceria do rival nessa iniciativa e nossa no estádio deles. Faço a afirmação com conhecimento seguro do fato.

Voltarei oportunamente com outras considerações.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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