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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Bando.


O Coritiba atual, e não há pouco tempo, não é um time de futebol. Tem apenas um bando de jogadores, com raras exceções que confirmam a regra.

Contratamos mais de vinte jogadores no ano, contamos com mais de quarenta no elenco e raríssimos dão boa resposta. Alguns têm uma boa jornada aqui e outra ali, mas logo se perdem e mostram o que realmente são. A única exceção, o único em que sempre podemos confiar e que é estável é o goleiro Wilson. O seu destaque é bem uma amostra da fraqueza dos seus companheiros, pois em todos os times ruins o destaque é o goleiro.

Muitas contratações foram feitas a um custo altíssimo, sem quase nenhum retorno e cada vez mais afundando as finanças do clube. Salários como os do Kléber, Anderson e Alecsandro, por exemplo, estão no nível dos clubes de primeira linha, dos que têm dinheiro. E se ainda dessem respostas de modo a justificar os ganhos, talvez fosse compreensível. Mas não, um é destemperado e desfalca o time por quase um terço do campeonato; outro gordinho gosta de se lesionar e quando não pode trata de perder a cabeça para ser expulso, e assim puder cuidar da sua fazenda em Alegrete-RS; e o terceiro, sem dúvida um ex-jogador que nos iludiu com o sonho de reedição do Lela (pobre do Lela).

Consta que há outros salários altos, dentre eles o do João Paulo. Meu Deus, João Paulo! E ainda joga! Há algo misterioso para a nossa vã compreensão com o conceito que o João Paulo tem perante os técnicos que passam pelo clube. Sempre joga mal, já cometeu erros comprometedores, mas não sai do time. E será que é acaso o fato de que nos melhores – poucos – momentos do time – ele estava lesionado?

E todos esses compondo um bando de ciganos, estranhos às coisas do Coritiba (alguns só conhecem a tesouraria), pouco ou nada mais aspirando no futebol por estarem em final de carreira (para alguns ela já terminou, mas não se quer ver) e que a cada temporada encontram ingênuos para contratá-los. Raros são comprometidos e parecem que só pensam em encher as burras e depois pegar a sua mochila – como disse o Alecsandro – e ir embora.

E por falar em salários altos, não esquecendo os do Marcelo Oliveira (até agora outro custo-benefício deficitário), lanço uma indagação.

A Lei nº 12.527/2011, instituiu a obrigação de a administração pública se mostrar transparente perante a sociedade, inclusive obrigando a publicação dos salários e subsídios dos integrantes do serviço público, tudo em razão de serem pagos pela sociedade.

Pois já estaria na hora de ser editada uma norma que obrigasse os clubes de futebol a divulgar aos seus associados e torcedores – os verdadeiros donos do clube e que tudo pagam – os valores despendidos com cada contratação, não bastando contar em balanço o total da folha de pagamento (não se venha falar em inconstitucionalidade em razão do princípio da privacidade, o STF mandou às favas o princípio em se tratando de servidores públicos). Se não vier norma, seria uma conduta exemplar que mostraria com vigor a verdadeira transparência.

Costumo terminar os meus textos com ainda um alento de esperança. Mas hoje está difícil. Desta vez repito Victor Hugo: A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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