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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Bem-vindo, Fábio Matias.

Bem-vindo, Fábio Matias.

Em meu nome e dos muitos coritibanos que anseiam pela volta do clube aos tempos áureos, acolhemos o teu nome com muita esperança, certos de que se a escolha foi feita pelo Paulo Autuori é porque você tem credenciais e potencial para conduzir nosso time ao sucesso e a recuperação da condição de integrante da primeira divisão do futebol brasileiro.

O teu currículo, ainda que não muito extenso, o recomenda, bastando saber que dirigiu o Botafogo por dez partidas e venceu oito, algumas delas fora de casa. Nessas partidas, o Botafogo fez vinte e seis gols e sofreu apenas nove, uma marca considerável. Enfim, quando você dirigiu um time na primeira divisão, foi muito bem-sucedido, o que esperamos se repita no nosso amado Coritiba.

Além do que, se alguns apontam você como uma aposta – o que qualquer nome seria – nada melhor do que alguém que está começando e tem ambição de vencer do que um “medalhão” veterano ultrapassado e acomodado com sucesso pretérito, que talvez só viria para receber polpudos salários e pouco entregar.

Mas me permita dar algumas poucas sugestões (ou conselhos, atrevo-me) para se sair bem.

O primeiro é quanto às redes sociais, notadamente grupos integrados por torcedores do Coritiba. Não os acesse, pois embora os muitos lúcidos que ali postam e comentam, bobagens e às vezes até agressividade são a tônica de alguns para os quais nada está bom.

Depois, procure conhecer a história do Coritiba e veja que o clube já foi destacadamente o maior do Paraná e era respeitado em todo o Brasil, estando em decadência há um bom tempo, em que pese alguns suspiros aqui e ali (por exemplo: 1998, 2003/2004 e 2011/2012). Mas pela força de sua história, do seu patrimônio e da sua torcida tem potencial para voltar a frequentar o restrito “clube” dos vencedores e esperamos que você ajude a alcançar tal fim.

Nos meus setenta e seis anos acompanho o Coritiba desde a infância, e já vi passagens pelo clube que foram um sucesso, às vezes até inesperado, mas também verdadeiros desastres em que pese o nome do profissional. Acredito que você se destacará entre aqueles, sendo bem-sucedido, pois, como se diz no truco não aguentamos mais treinadores que só dão “facão” e nunca ficam com o casal maior na mão (se não sabe, aprenda a jogar, é ótimo, e estará se “curitibanizando”).

Já indo para o momento do time, peço que não se impressione com os que pretendem que Robson seria um jogador indispensável, pois é muito esforçado e lutador (sem esquecer o que o Joel Malucelli disse há poucos dias). Essas qualidades você poderá encontrar nos torcedores mais ferrenhos, mas sem técnica – como o caso do Robson – de nada adianta lutar. A falta de qualidade está presente em alguns dos integrantes do atual plantel, mas você já deve ter informações através do Autuori e logo verá quem é quem no elenco, sendo indispensável que na próxima “janela” o clube contrate alguns jogadores promissores e que venham como reforço na expressão da palavra e não como simples peças de reposição.

Enfim, Fábio, desejamos a você sucesso, pois será o nosso também. Sabemos que milagres não fará, mas se der a esse time – com alguns reforços – qualidade técnica certamente o sucesso virá. Boa sorte para todos nós, esperançosos confiamos em você.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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