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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Bom resultado, mas que sufoco!

O resultado de ontem foi muito bom, fundamental para ficarmos com a manutenção na série A ao alcance de mão.

Sim, que o que importou foram os três pontos conquistados e pode-se dizer que agora é assim mesmo que devemos agir, o que importa é a manutenção na série A e na situação em que ainda estamos não é de se querer vitória com boa apresentação, se uma excluir a outra. Sempre melhor a vitória, ainda que sem boa exibição. Não há vitória feia, só a derrota é. Mas foi um sufoco, o jogo todo tenso e com a bola quase só nos pés dos atacantes do Flamengo. Conseguimos o gol, o que não é pouco e é o que vale, mas depois nem um mísero chute, deixando os torcedores com o coração na mão.

Ontem os pontos positivos foram Wilson – não estou dizendo nenhuma novidade sobre o melhor goleiro do campeonato – Werley e Kléber Reis que fecharam a área e Jonas que deu o primeiro combate assessorado pelo Alan Santos, fundamentais para a manutenção do resultado.

Mas vimos também quem não apresenta futebol que possa trazer algum sossego nos próximos jogos e esperança no próximo ano. Temos dois laterais diretos muito fracos, o da esquerda parece que está arrumando as malas, não temos verdadeiros meias e os atacantes são insuficientes, com destaque negativo para o fraquíssimo Henrique Almeida.

E por falar em próximo ano, preocupou-me saber que conversas de corredores indicam que o Wilson estaria sendo sondado por outro clube. Ele tem contrato até 2020, e se o Coritiba aceitar que saia, seja qual for o valor que possa obter, estará - como quase sempre tem estado - pensando pequeno. Imediatismo para entrar dinheiro nos cofres, mas sem olhar para o futuro próximo ou remoto quando mais dinheiro poderia entrar se o time tiver sucesso. Estou torcendo para que seja mera especulação e continuemos com Wilson, a quem deveremos muito o não rebaixamento.

Uma palavra para a invenção do nosso treinador, colocando o Dodô como um antigo ponteiro direito, talvez pensando em ali avançar e não permitir que o Flamengo o fizesse. Deve ter agido procurando acertar e pensado que se fosse bem-sucedido teria se consagrado como um genial estrategista. Mas não, além de o Dodô não avançar e nada produzir no ataque, foi o Flamengo que usou aquele espaço com sucesso. Tratou-se somente de uma invenção fracassada, que certamente não se repetirá. O fato foi um ponto fora da curva e há que se reconhecer que depois de um início ruim, o Marcelo Oliveira acertou taticamente o time, especialmente quando viu que não dava para contar com descomprometidos como Alecsandro e Anderson e constatou que o Galdezani foi um engano.

Ah, não posso esquecer da linda festa feita pela torcida, que foi a melhor parte do jogo. O público de 15.000 espectadores – talvez 2.000 flamenguistas – não foi o que eu esperava. Para um jogo da envergadura de Coritiba x Flamengo, nas circunstâncias em que ocorreu, teríamos que ter lotado o estádio. Méritos para os que compareceram e que ajudaram na obtenção do resultado.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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