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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Bravura indômita.

Não dá para dizer que ontem, contra o Londrina, o Coritiba fez uma boa apresentação quanto ao aspecto técnico. Não fez, mas jogou o suficiente e com uma bravura invejável, necessária e adequada à segunda divisão.

Claro que alguns desempenhos foram muito bons, como foi o caso do Willian Farias – talvez o melhor do time ontem – do Luciano Castan e do Natanael, mas o quesito mais importante do time foi a valentia, o modo como jogou, disputando a bola como um migrante faminto disputa um prato de comida. Aliás, há alguns jogos tem chamado a atenção o bom preparo físico da equipe, que termina o jogo correndo quase tal e qual começou, sendo um exemplo o já citado Willian Farias, que ultrapassou os trinta anos de idade e tem função em campo que exige participação em quase todos os lances.

Raça por si só não ganha jogo, tem que ser aliada a um bom futebol. Mas é essencial. Um time, por mais qualificado que seja, dificilmente vai longe se os seus jogadores se mostrarem apáticos e não reagentes. Ontem o Coritiba mostrou um futebol razoável e superou a carência técnica pela bravura e coragem, não se curvando mesmo que por duas vezes inferior no placar e mesmo conscientes os jogadores do tabu que nos levava a não vencer ao LEC em sua casa há muito tempo.

A palavra bravura é originada do espanhol (bravado), significando ato espontâneo de valor e destemor, enquanto a expressão coragem vem do francês (courage), aquilo que vem do coração, intrepidez. Foi o que o Coritiba expressou ontem, um ato de destemor, inspirado pelo coração.

Que continue assim, mas dosando essas qualidades com a técnica, pois, como disse antes, se a raça é indispensável, também o é a técnica.

Para não dizer que não falei da arbitragem, finalmente vimos firmeza dos mediadores e uso do VAR com correção. Fosse a arbitragem do jogo contra o Goiás, o nosso terceiro gol teria sido anulado sob o pretexto de um impedimento inexistente. No segundo, destaque para a firmeza do auxiliar, cuja decisão foi confirmada pelo não chamamento do VAR para conferência.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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