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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Brunoro pede o que já damos.


Depois de duas preocupantes derrotas, contra o FC Cascavel em casa, quando fomos dominados durante quase todo o jogo, e contra o maior rival, que nos enfrentou com o que chamam de aspirantes, ou seja, não jogam no time principal, o CEO Brunoro veio a público para dar satisfações à torcida e pedir paciência.

De um lado o fato é positivo, ainda que melhor fosse que a manifestação partisse do presidente, mas a verdade é que, ao contrário da última gestão, quando alguém falava sobre o clube somente nos momentos dos raros sucessos, satisfações estão sendo dadas à torcida.

Mas por outro lado, a fala merece ser melhor analisada.

O torcedor de futebol é passional, todos nós, uns mais e outros menos, e sempre quer sucesso imediato. A torcida do Coritiba não é diferente, ou melhor, está sendo um pouco diferente. Escaldada pelos insucessos desde as duas últimas gestões, quando o máximo que conseguimos foi um título estadual apagado por dois rebaixamentos alternados, a torcida tem sabido ser paciente, dando à direção que foi eleita com quase a unanimidade dos votos todo o crédito para que o clube seja reerguido. Sabemos que isso não acontecerá de imediato – um sucesso repentino normalmente não tem base sólida - e nem em poucos meses ou talvez um ano, e temos dado voto de confiança para a atual direção.

Isso não significa que, ao tempo em que elogiamos os novos rumos que se instalam, deixemos de fazer críticas ao que entendemos não está sendo satisfatório.

Uma delas é que, em que pese a noticiada cientificidade do sistema de prospecção de jogadores, ele não está sendo satisfatório.

Os novos alas, Igor e Romário, tem alternado momentos bons com ruins, mas mesmo nos bons não parecem ser os jogadores ideais à altura do time que queremos ter. Do mesmo modo o Wellington Carvalho, até porque o jovem Thalisson pareceu melhor do que ele na única partida em que foi escalado. No meio, Jhony ainda é incógnita, mas Val, exceto quando do penúltimo jogo, parece ter sido um dos acertos de contratação. Os Matheus – os três - são do elenco anterior, mas nenhum deles tem futebol suficiente para um time que aspira mais. Repatriamos o Willian Farias e o Robinho, mas este, como acontece muito com veteranos, passa mais tempo em tratamento médico do que em treinos ou jogos. E na frente ainda temos que testar – o campeonato estadual não é para isso? – Robinho e Taílson, pois se os poucos minutos em que esteve em campo refletiram o futebol do Dalberto, estamos mal. Resta de positivo o Léo Gamalho, mas não pode ele ficar como permanente esperança de que uma bola “sobre” para concluir, sem ter alguém melhor ao seu lado e mesmo para substituí-lo quando for necessário. Agora vem o desconhecido Willian Oliveira, incógnita para a qual torceremos muito para que dê certo.

Enfim, meu caro Brunoro, paciência a torcida do Coritiba tem tido. Sabemos que resultados bons não acontecem rapidamente em um clube cujo time foi praticamente destruído. E sabemos que o clube também foi duramente atingido em suas finanças por força de más gestões anteriores e está em fase de reconstrução, que deve ser gradual e segura. Mas também, convenhamos, você não iria querer que após derrota para os jovens aspirantes do rival a torcida ficasse em silencio. É compreensível a ansiedade do torcedor, paciência e confiança continuaremos a ter na esperança de que aos poucos tudo se encaminhará para o melhor.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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