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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Calma, pessoal.



Escrevo um dia antes do jogo contra o Avaí, na esperança de que amanhã o resultado em campo mostre que eu estou errado nesta coluna e me sujeite a críticas pela visão equivocada.

É que eu estou um tanto preocupado com o otimismo descontrolado que tomou conta da nossa torcida após duas vitórias fora de casa, temendo que mais uma vez entre tantas nos últimos anos a esperança se torne vã.

Parece agora a muitos torcedores, e até a alguns formadores de opinião, que num estalar de dedos o Coritiba mudou da água para o vinho e está no caminho certo e tudo se resolverá.

A contratação do Jorginho, que até há poucos dias teria sido um equívoco na visão de muitos, agora está se mostrando acertada. Ele vai nos levar à série A.

Alguns jogadores que sempre soubemos tecnicamente fracos, de repente já não o seriam tanto assim.

A raça voltou ao time – não nego que em Pernambuco foi fator fundamental para o resultado – e a sorte também, é verdade (em outros tempos o Rodrigo Gelado não teria impedido o empate do adversário nos estertores do jogo).

Mas escolado pela vida fico com temor de que o pensamento de alguns esteja repetindo o que ocorreu no ano passado logo que o Tiago Kosloski assumiu, levando o time a três vitórias e um empate. Achávamos, eu incluído, confesso, que finalmente nos encaminharíamos para uma boa campanha, mas o que se viu foi que nada mais era do que um fogo de palha e amargamos o nosso pior desempenho na série A.

Por isso recomendo que sigamos com calma. Jorginho não tem dedo mágico e nem o plantel é qualificado, no máximo é satisfatório. Pode ser que escapemos do risco de rebaixamento ou até consigamos na bacia das almas a classificação para voltar à elite.

Para tanto, a esta altura não precisamos dar espetáculo, e, aliás, nem podemos. Temos que jogar de modo pragmático, conscientes de nossas limitações, na esperança de que as expectativas não sejam falsas ou fugazes como tantas vezes já vimos.

Nos últimos anos temos sido uma torcida carente, tantas que foram as decepções, de modo que a nossa condição psicológica leva a reiteradas fases de esperança que infelizmente se mostraram infundadas. Recomendo que contenhamos o entusiasmo, sem perder a esperança, até ter certeza de que os objetivos do ano estarão ao nosso alcance.

Amanhã mais uma vez será importante o apoio da torcida para entusiasmar e impulsionar o time em campo. Espero que no findar da noite os amigos venham aqui comentar que eu estava errado. Como disse o Ferreira Gullar, não quero ter razão, quero é ser feliz.







Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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