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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Calma, um passo de cada vez.

A vitória de ontem foi épica, ficará marcada na história do Coritiba, e com mais ênfase se tiver sido efetivamente um marcante passo para a fuga do rebaixamento que ainda está muito próximo.

O time foi guerreiro e vibrante, exatamente a antítese do que vimos no tão criticado jogo contra o Atlético-GO, mostrando que tem o que dar, desde que se saiba extrair as qualidades de cada um e carências sejam supridas com bravura.

Não foi uma apresentação perfeita, tanto que sofremos três gols (todos em jogadas aéreas, o que exige correção de postura), mas a capacidade de reação da equipe, por duas vezes com placar desfavorável, foi emocionante e pode ter sido um marco de novas vitórias que de uma vez afastarão o risco do rebaixamento.

Como “gato escaldado que tem medo de água fria”, misturo a euforia pelo resultado de ontem (mais pela forma como foi obtida), com cautela, uma vez que estamos no fio da navalha, hoje com o mesmo número de pontos que alguns “rebaixáveis” e só ausentes da ZR pelos critérios de desempate.

Dentre os jogos que temos a seguir, todos serão importantes, mas dois serão vitais para o nosso futuro – Avaí e Ponte Preta - uma vez que, além de poder somar pontos, não deixaremos os adversários diretos crescerem. Dentre os demais, poderão ser adversários diretos, conforme o correr das rodadas até lá, o Fluminense, o São Paulo e a Chapecoense em jogos que poderão também ser cruciais. Nenhum jogo é fácil, mas nenhum é impossível de levar a bom resultado. Faltando vinte e um pontos em disputa, para tranquilidade é necessário obter pelo menos nove ou dez, o que depende também dos pontos conquistados pelos demais últimos na tabela.

Enfim, se ainda nada está perdido, também nada está ganho. O caminho é árduo e temos que nele avançar passo a passo, com segurança. Fico contente ao ver a mesma lucidez nos torcedores que comentam aqui no Coxanautas. A força da torcida no Couto nos decisivos jogos a seguir, poderá ajudar.

PS. Todos os jornais e comentaristas falaram da estupenda atuação do Wilson ontem e eu não poderia agir diferente. O Wilson foi portentoso, assim como vinha sendo há muitos jogos, e no lance dos pênaltis – anotados pelo árbitro com um rigor exagerado – passou à história do Coritiba. Um dia vai falhar – quem não falha? – torçamos que seja em jogo sem importância ou em que estejamos com sobras no placar. Se ou quando isso acontecer, certamente o torcedor lembrará de tudo o que já fez e relevará.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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