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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Calma.



Depois de dez jogos consecutivos sem vitória, eis que o Coritiba venceu e relativamente até convenceu, jogando na casa do adversário, o Vasco da Gama. Apresentou um futebol pragmático, se bem que a segunda etapa da partida mostrou que o time ainda não tem segurança em si próprio, procurando mais administrar o placar, mas fez o suficiente para vencer, destacando-se pela garra.

A torcida ficou feliz, como é óbvio e natural, acendendo uma luzinha de esperança em que ainda escapemos do muito provável rebaixamento. Vi nas redes sociais manifestações até seguras nesse sentido, crendo alguns que somaremos os pontos necessários e o time sairá dessa situação.

Oxalá estejam certos, mas por mais otimistas que possamos ser não dá para afastar a realidade. Ainda dependemos de um milagre e o time não tem qualificação individual que permita sonhar tanto (não seria da noite para o dia que alguns se tornariam craques). Vamos com calma então.

Nosso caminho para a redenção é longo, não será amanhã que teremos bons resultados e campanhas convincentes. Importante é ter evolução gradual e segura, ainda que nossa vontade de torcedores deseje que logo ali tenhamos sucesso. É lugar comum dizer que sem bons alicerces não se constrói uma casa sólida.

O mais significativo, em razão do que vimos nos dois últimos jogos, é sentir que o time está começando a ser organizado e há empenho e disposição. Os jogos que faltam poderão comprovar se efetivamente a mudança é segura, e mais servirão – ainda que sempre desejando o milagre – para experiências e para preparar a equipe para as próximas competições.

Vamos confiar que novos tempos se descortinam, mas sem o impulso juvenil de crer que tudo está arrumado a partir de uma vitória que há muito não vinha, ou, o que talvez seja pior, exigir que uma administração que há duas semanas encontrou o clube em um dos seus piores momentos da história possa e deva desde já apresentar bons resultados. O caminho é árduo, já começou a ser trilhado. Acertos e erros acontecerão, e com independência, visando ao bem do Coritiba, estaremos aqui para mostrá-los. Vamos confiar, mas com prudência e pés no chão.


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Sou sócio, estou ajudando a reerguer o Coritiba.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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