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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Casa um pouco arrumada

Na coluna anterior afirmei que o resultado do atletiba poderia nos levar a arrumar a casa, caso vencêssemos, ou desarrumar de vez em caso de derrota, criando então uma crise com consequências talvez irremediáveis. O empate, disse então, somente seria um bom resultado se mostrasse evolução da equipe.

Pois bem, em que pese a nossa classificação na tabela não possa permitir que se considerem empates como bons resultados, no atletiba do último domingo a vitória esteve mais perto do que nós do que deles e algum sopro de esperança se acendeu.

Foi certamente a nossa melhor apresentação neste ano, em um excelente atletiba, aliás, com boas apresentações de ambas as equipes.

Pela primeira vez nesta temporada, raras foram as ocasiões em que os zagueiros tentaram as inúteis ligações diretas com o ataque, procurando fazer com que a bola sempre passasse pela meia cancha antes de chegar aos finalizadores. A ausência do Leandro Almeida, que decididamente não queria mais jogar no Coritiba, foi positiva, até porque o Leandro Silva foi muito bem e escancarou a diferença de comprometimento (já foi tarde o Leandro Almeida, não sem antes nos causar prejuízos com suas sucessivas falhas).

Marcos Aurélio, de quem eu não esperava muito em razão de estar fora da vitrine há muito tempo, deu qualidade ao meio campo, destacando-se a excelente jogada quando do nosso segundo gol. Como ele sempre se deu bem em atletibas, vamos esperar para ver se voltou para efetivamente mostrar o bom futebol que apresentou em 2011.

Esquerdinha uma boa promessa, Ruy muito bom. Cáceres fazia a sua melhor partida no Coritiba. Uma pena que, além de sair por lesão, em seu lugar entrou Hélder, comprovadamente inservível para o Coritiba e que por pouco não entregou um gol para o adversário.

E o mais importante foi ver uma equipe consciente, tranquila (salvo o destempero do Wellington Paulista) que, não fossem às más atuações do Hélder e do João Paulo, teria finalizado o domingo com vitória.

Muito ainda há para crescer, mas ganhamos um sopro de esperança, ainda que realisticamente por enquanto tênue, necessitando ser confirmada nos próximos três ou quatro jogos. Se conseguirmos seis ou sete pontos, pelo menos, penso que estará aberto o caminho para a recuperação no campeonato.

Vamos torcer para que com a composição nova do time com nomes experientes – espero que não se mostrem apenas “maduros” – novas luzes se acendam no Alto da Glória. Dificilmente poderemos sonhar com classificação superior à metade da tabela, mas tendo em vista o modo como o ano começou já será um “sucesso” se pararmos de ter que lutar contra o rebaixamento.

E ainda um ponto que quero enfrentar. Confesso que não sei se lamento o destempero e imaturidade do Wellington Paulista que recebeu uma expulsão totalmente evitável. Quem sabe os deuses do futebol venham a mostrar que foi um sinal positivo, pois ele é um jogador apenas mediano e mercurial e talvez outro se afirme no seu lugar enquanto curtir a merecida suspensão?

Enfim amigos, ainda que uma partida apenas não possa servir para mostrar que o time vai efetivamente melhorar, foi um bom sinal. Mesmo que há muito tempo vivamos de esperança, vamos reacendê-la e ver o que ocorre logo adiante.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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