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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Cem dias.


Pois o Coritiba terá nesta semana uma nova direção, democraticamente eleita e com promessas mil de recuperação do clube.

Apesar de tudo indicar que o grupo que assume é sucessor da administração fracassada que deixa o poder, uma vez que ainda que neguem e rejeitem o filho feio todos sabemos quais os laços que mantinham, temos que presumir que a rejeição não foi deslealdade e nem abandono do barco que afundava, mas sim inconformidade com os rumos tomados, e então dar todo o nosso apoio à nova gestão, especialmente no começo. Muitos próceres das chapas derrotadas assim já fizeram, de forma elegante, e pela mesma razão nós, torcedores, devemos apoiar a nova gestão.

Mas não custa lembrar à chapa vitoriosa que foram vencedores com pouco mais de um terço dos votos, restando quase dois terços distribuídos entre as outras chapas. É um resultado legítimo e democrático, a regra do jogo é resultar vitorioso quem alcançar maioria simples e não a absoluta. Porém, este fato deve ser lembrado para orientar as ações da nova direção, de modo a que com seus atos possa conquistar os demais eleitores e os torcedores que não votam ou não votaram. E também para que saibam acolher os confrades derrotados, unindo o maior número possível de lideranças visando ao bem do Coritiba.

Em política é costume dar aos governantes eleitos o prazo de cem dias para que se situem no poder e comecem a produzir resultados mostrando a que vieram. Em cem dias o clube estará na fase final do campeonato estadual e até lá poderemos ter alguma avaliação do que nos espera em 2018 e nos anos seguintes. Nem tanto quanto ao campeonato estadual, mas fundamentalmente em relação ao planejamento para retorno à série A ainda no próximo ano. Claro que em cem dias não se muda radicalmente uma situação ruim como a do Coritiba, serão necessárias muitas centenas de dias e talvez mais de uma gestão para que se reformule concretamente o Coritiba ou, como gosto de dizer, se trate de refundar o clube. Porém, os resultados mostrados no prazo tido como consenso em política governamental serão um forte indicativo para que sintamos o caminho que será palmilhado pelos nossos novos comandantes.

A torcida do Coritiba foi muito ferida e maltratada nos últimos anos, especialmente nos três da gestão que se despede, e não pode mais ser o único elemento do clube a não decepcionar. Daremos voto de confiança à nova direção e teremos paciência, mas não de modo infinito.

Sucesso aos novos dirigentes, o seu sucesso será o de todos nós.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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