Certidão negativa de débito ou faixa de campeão?
Vinte dias depois, logo após o vexatório fracasso nas finais do campeonato estadual, o Presidente Rogério Bacellar afirmou que neste ano o Coritiba iria lutar por uma vaga na Copa Libertadores da América (confira aqui). Tal afirmação me levou a ter esperança de que nosso time seria reforçado, o que infelizmente não está ocorrendo.
E agora, no dia 02 deste mês, o Vice-presidente José Fernando Macedo pediu paciência e compreensão à torcida, afirmando que o único sonho do Coritiba neste ano seria o de se manter na primeira divisão e diminuir o passivo financeiro: “Temos de pagar as contas. A torcida tem de entender que estamos formatando o Coritiba para os anos futuros. Nós não podemos é cair. Temos de lutar para manter o plantel para que ano que vem a gente possa respirar com mais dinheiro”, (confira). Assim, se em um ano pagamos quase 17% das dívidas, a continuar nesse ritmo o futuro almejado pelo dirigente demorará pelo menos seis anos para ser alcançado...
E agora, em quem acreditar e o que esperar? Diz-se em jornalismo que a notícia nova sepulta a velha, o que nos leva a supor que o entusiasmo dos dois primeiros dirigentes estaria superado pela manifestação do vice Macedo, o último a falar e, ao que se diz nos corredores, um dirigente com muita força dentro do clube. De um lado, otimistas sem apoio na realidade, e de outro um pessimista sem ambição.
Sem dúvida a última manifestação foi um balde de água fria nos torcedores e igualmente deve ter sido nos jogadores que podem ter pensado “nós não somos capazes de nada mais do que tentar manter o clube na primeira divisão”. Sim, pode ele ter sido realista, mas também é a expressão de alguém desanimado e sem esperança, o que não funciona em nenhum ramo de atividade e menos ainda no futebol. Todos nós sabemos da realidade do passivo financeiro do clube, que vem de muitos anos e é argumento repetido pelos últimos dirigentes para justificar a ausência de sucesso. Mas será que é muito difícil administrar e diminuir dívidas e ao mesmo tempo ter um time razoável e com ele ter metas ambiciosas?
Em clubes de futebol a relação entre resultados/receitas/despesas, pode ser um círculo virtuoso ou vicioso. Se o clube é bem sucedido em campo, não precisa ser um expert em administração ou economia para saber que as consequências serão o aumento do quadro social, maior renda em jogos como mandante, maior venda de produtos licenciados e maior cacife para negociar patrocínios. Se não for bem sucedido, a consequência será a inversa, não se gasta, mas também não se recebe e não se cresce.
Faço uma analogia, a partir da opinião do vice Macedo, com a situação de um comerciante endividado que não renova ou qualifica os seus estoques para não gastar, pois a prioridade deve ser a de cobrir o passivo. Mas como o fará se pouco ou nada terá para oferecer aos clientes? Não gasta, mas também não lucra. Não sai do lugar e quebra definitivamente.
Os nossos dirigentes têm que chegar a um consenso (a contradição entre as afirmações públicas, otimistas demais de uns e pessimistas de outro, pode levar a supor que também não há harmonia interna) sobre se querem somente pagar as dívidas e apenas tentar manter o time na primeira divisão, ou se desejam ir aos poucos derrubando os débitos e ao mesmo tempo ter um time vitorioso. Pensar pequeno e de modo desanimado torna a situação muito mais perto de um maior fracasso do que de algum sucesso.
O torcedor não quer uma certidão negativa de débitos para enfeitar a parede. Quer saber dela, sem dúvida, mas quer muito mais uma faixa de campeão para exibir. Será que é tão difícil assim harmonizar passivo e ativo e ser realista e ambicioso ao mesmo tempo?
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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