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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Coincidência ou destino?



Parece que desta vez há uma quase unanimidade em relação ao momento do Coritiba. O time vem melhorando paulatinamente, de modo a nos deixar esperançosos de sucesso na temporada, embora sempre com cuidado para não mostrar euforia, pois muitas vezes nos conduzimos bem no campeonato estadual e de modo decepcionante do nacional. Mas que há esperança neste ano, sem dúvida há.

Chego um pouco atrasado para comentar o jogo de ontem contra o PSTC, os amigos que compartilham este espaço comigo já disseram muito e bem sobre o Coritiba do presente, cada qual com a sua forma de pensar.

Mas quero deixar também as minhas impressões.

E o faço para apontar três destaques e depois o enfoque que dá título a esta coluna.

O primeiro, positivo, é a fase que o Lucas Claro vem vivendo. Não fez uma boa temporada no ano passado, especialmente por lhe faltarem velocidade e impulsão, mas sem dúvida o tempo em que curtiu a reserva fez com que aprimorasse tais fundamentos. Tudo indica que fará uma bela temporada.

Outro destaque, mas aqui negativo, é o Dudu. Infelizmente o jovem – para o futebol já nem tanto – está provando que não tem lugar no time do Coritiba, nem mesmo na condição de reserva. Ao contrário do Lucas
Claro, não soube aproveitar o tempo de ostracismo do ano passado para melhorar a técnica. Talvez porque não possa.

Terceiro destaque eu dou para a preparação física do Coritiba. Não tenho conhecimentos técnicos a respeito, mas uma simples constatação de leigo mostra que o time está “na ponta dos cascos”. O jogo quase terminando e o veterano Juan – que, aliás, vem muito bem tecnicamente – correndo como se a partida estivesse no começo e fazendo um belo gol.

E o último ponto envolve o Elisson que, embora ainda não tenha sido visto enfrentando equipe de maior porte, vem se apresentando muito bem. Uma defesa difícil no único lance de perigo que o Guarany de Sobral conseguiu e outra mais difícil ainda ontem em uma jogada tosca do João Paulo indicam que é um bom goleiro. Sua presença no time me faz recordar uma coincidência que os amigos contemporâneos a mim podem confirmar ou esclarecer caso a memória me falhe. Em 1971 (ou seria 1972?), nosso goleiro era o Célio, elegante e seguro, que não era visto fazendo defesas extraordinárias e espetaculares, pois sabia se colocar muito bem. Tal como é hoje o Wilson. Pois bem, o Célio sofreu lesão e foi substituído pelo Jairo, até então um desconhecido, o qual logo teve que disputar um atletiba onde “fechou o gol”. Jairo e Elisson, ambos negros, altos e fortes (notaram que com a força das mãos o Elisson consegue colocar a bola no campo adversário?) e substitutos de goleiros consagrados. Coincidência apenas? Pode ser, mas às vezes existe uma linha tênue entre a coincidência e o destino, o que o tempo dirá se vai se confirmar.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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