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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Coisas que (não)aconteceram.



Todas as probabilidades de escapar do rebaixamento nos são favoráveis dentre os cinco clubes que ainda não estão matematicamente rebaixados. Até em caso de derrota, como alguns já apontaram por aqui, há chance de resultados combinados nos favorecerem, mas não vamos brincar com isso.

Em todo o campeonato, apesar de conscientes de que o nosso elenco é fraco, salvo algumas exceções, e de que os treinadores anteriores também (o último com a agravante de se mostrar indiferente aos resultados negativos), alguns fatores aconteceram e outros não aconteceram para marcar negativamente a nossa campanha.

Primeiro, ainda que não se deva tentar esconder os problemas com a alegação, aconteceu que em muitos jogos a arbitragem nos foi prejudicial. E, ao contrário, não ocorreu de em qualquer jogo sermos favorecidos por qualquer erro de arbitragem. Não que se queira que vençamos com tal ajuda , mas quando nenhum dos nossos adversários reclama de qualquer assinalação que nos tenha sido favorável, e quando em muitos jogos se deu o contrário, foi esse sem dúvida um fator importante para alguns maus resultados.

Depois, o time do Coritiba tem uma enorme deficiência no que se refere a cobrança de faltas. Nenhum gol dos que marcamos decorreu diretamente ou indiretamente de cobrança de penalidades. Ao que eu me lembre, o último gol desse tipo ainda teria sido em meados do ano passado, através do Alex. Outro fator, então, que nos prejudicou, mas por culpa exclusiva nossa, seja por deficiências técnicas dos atletas, ou seja pela falta de treinamento específico.

Mais um enfoque sobre prejuízos que tivemos se refere à ausência de gols decorrentes de cobrança de escanteio. Nenhum, ao que lembro, aconteceu neste campeonato. Essa deficiência também concorreu para que muitos bons resultados não fossem alcançados. Aqui a deficiência talvez seja mais de treinamentos do que individual.

Por fim, um fator que não acontecia e nos últimos jogos apareceu para nós, foi o da sorte. Agora não são mais as nossas bolas que batem na trave do adversário. Contra o Santos a sorte nos favoreceu, sem dúvida, e contra o Palmeiras um pouquinho também, pois tivemos três chances de gol e efetivamos duas, enquanto o adversário perdeu as que teve. Já estava na hora de ter pão quente também na nossa mesa.

Assim, como nos resta apenas um jogo para não sofrermos despejo da elite do futebol – com a esperança de que no próximo ano deixemos nossa casa melhor arrumada – quem sabe algum dos fatores que apontei pode acontecer exatamente no domingo?

Se a arbitragem for isenta e competente, mesmo com o “carioquismo” da CBF, já será um grande passo, pois não tenho dúvida de que, a despeito da fraqueza do nosso elenco, ele ainda é melhor do que o do Vasco. Jogo por jogo, não temos como perder. Ainda mais se a sorte continuar a compensar o período em que nos abandonou

A conferir.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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