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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Com ou sem Rafinha?

Muitas vezes a missão do cronista é provocar debate entre os seus leitores e hoje vou dar a partida para um, qual seja refletir sobre se Coritiba tem sido melhor com ou sem o Rafinha em campo. Suponho que estou mexendo em um vespeiro, tantos que são os fãs do Rafinha, com justiça, diga-se, pelo seu passado e dedicação, mas penso que temos que debater o momento atual.

É que o Rafinha que temos visto neste campeonato não tem sido o mesmo que conhecemos nos anos 2010/2012, longe disso, e que queremos ver. Não só tem tido más atuações como dados objetivos mostram o mau aproveitamento do time com ele em campo no mais das vezes.

Dos treze jogos disputados pelo Coritiba no atual campeonato o Rafinha participou de dez, em todos não começando ou não terminando a partida, o que pode ser explicado e aceito por se tratar de jogador veterano e sem condições de manter o mesmo ritmo pelos mais de noventa minutos de cada disputa. Em nenhum teve atuação além de razoável. Aliás, no dois últimos jogos o Rafinha também mostrou uma faceta preocupante, qual seja a aparente falta de vontade e garra, quesitos em que sempre se saiu bem.

Desses dez, o Coritiba venceu quatro com o Rafinha jogando, sofrendo duas derrotas e empatando as outras quatro. As melhores atuações do Coritiba no campeonato foram induvidosamente contra o Sampaio Correa e o Guarani e o Rafinha não atuou nessas partidas.

Nos dez jogos, ainda que não tenha participado durante toda a partida em nenhum deles, o Rafinha recebeu quatro cartões amarelos, o que resulta em quase um a cada dois jogos, ou até mais se considerarmos que em todos só entrou com a disputa em andamento ou foi substituído em meio a ela. Sua reação emocional não controlada – incompreensível ante o fato de ser vivido e curtido no futebol profissional desde 2002 - tem levado a sofrer tais punições.

É um jogador que tem carisma, a torcida gosta dele tanto pelo vitorioso passado de 2010/2012 como pelas declarações de amor ao clube. Mas isso não autoriza a que se fechem os olhos para o momento e as suas fracas atuações e indisciplina, ainda mais em se considerando que é quem tem o maior salário no clube e deveria ser a sua estrela.

Não estou a buscar culpado para as últimas más atuações do Coritiba, longe disso, pois a hora é de dar apoio e incentivar, mas esse aspecto convém que seja ressaltado e debatido. O Coritiba tem atuado melhor com ou sem o Rafinha? Está aberto o debate.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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