Conflito emocional
Estou a imaginar o conflito emocional a que deve estar submetido o Dr. Domingos Moro desde quarta-feira à noite.
Como profissional competente, um dos melhores advogados do Direito Desportivo do Paraná e do Brasil, cumpriu seu dever com eficiência em favor do nosso rival e dos seus atletas, logrando a absolvição de quatro dentre os denunciados por infrações disciplinares praticadas no último atleTIBA, bem como obteve a desclassificação da imputação sofrida por um deles de modo a ser condenado para apenas dois jogos de suspensão, uma delas já cumprida, restando habilitado a disputar o segundo clássico e aqueles para os dois.
Suponho que, para aceitar a causa, deve ter passado noites insones diante do conflito de consciência entre atender ao interesse profissional – que em nada fere a ética como advogado, fique claro - ou deixar prevalecer o sentimento de coritibano, ainda mais sendo seu dirigente, membro vitalício do Conselho Deliberativo que é, enfoque sobre o qual não vou aqui ingressar. Imagino que certamente foram momentos difíceis.
Eu não teria qualquer dúvida, mas cada um sabe de si.
Mas e agora, passado o julgamento, certamente neste e no próximo domingo deverá o ele torcer pela vitória do glorioso alviverde, seu clube de coração, não tenho porque duvidar.
Que conflito, que situação! Dar tudo de si para conseguir que o adversário seja reforçado para nos enfrentar, mas ao mesmo tempo, suponho, o coração desejar que o Coritiba o vença! E se aqueles atletas forem decisivos para uma eventual derrota do Coritiba? Como conviver com o paradoxo e com o resultado?
Imagino que nosso conselheiro deva estar passando por momentos emocionais muito difíceis. Espero que o seu coração prevaleça e que o Coritiba seja campeão, de modo a que a sua satisfação profissional seja superada pela de torcedor.
Provavelmente no seu íntimo ele espera assim também.
Shakespeare, se vivo estivesse, diria que a situação caracterizaria um plágio de sua obra “Hamlet”, na qual no momento popularmente mais conhecido o personagem questiona: “Ser ou não ser, eis a questão”.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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