Conformismo.
Mais um atletiba sem vitória. Nos últimos onze a vencemos apenas um. Embora as estatísticas nos sejam favoráveis na história do clássico, nos últimos anos temos sido nós os “fregueses”, os números estão aí.
Não podemos negar que o rival se estruturou muito bem desde o final do século passado e temos muito caminho a percorrer para alcança-los e novamente ultrapassa-los. Administrativamente parece que o melhor está sendo feito para o nosso clube crescer, embora ainda sem reflexos em campo, muito por sucessivos erros de contratações no plantel ou no comando técnico.
Mas quero tratar de outro aspecto.
Refiro-me ao conformismo de parte da torcida que, após o resultado de domingo, nas redes sociais fala que o empate foi bom, pois eles têm mais time e jogaram melhor do que nós. A maioria não disse assim, mas o número dos que afirmaram assim não é desprezível.
Isso pode ser verdade. Até o momento em que tomamos o gol de empate jogávamos satisfatoriamente e a partir daquele momento o time desandou. Mas nem por isso não devemos aceitar como normal o ânimo de alguns, de quase submissão ao rival e conformismo.
Nelson Rodrigues – dramaturgo, escritor e jornalista esportivo, quem não conhece pesquise e verá que era genial – afirmava que até sermos campeões do mundo pela primeira vez, os brasileiros sofriam do que denominava “complexo de vira-latas”, ou seja, aceitavam passivamente o insucesso e se autodepreciavam.
Jamais, salvo em circunstâncias excepcionais, a falta de vitória em atletiba pode ser considerada como um resultado “até bom”, como li em algumas manifestações nas redes sociais. Racionalmente pode ter sido, mas não em termos de ânimo e espírito de vencedor.
O Coritiba passa por um momento delicado nos últimos anos, com idas e vindas à segunda divisão, mas tem uma bela história e temos que resgatá-la, especialmente a partir do não conformismo diante do crescimento do rival. O caminho é longo e árduo, já está encaminhado com a modernização do clube e a forte possibilidade de logo sermos uma SAF. Aguardamos que isso se reflita em campo.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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