Contramajoritário. O caso Manga.
Penso que coordenador técnico do Coritiba está certo ao dizer que valores éticos e morais devem acompanhar a gestão de um clube de futebol, aliás em qualquer ramo da atividade, ouso dizer sonhando como o personagem Cândido de Voltaire.
Manga errou gravemente, foi desleal com o clube que lhe pagava polpudos salários e o prejudicou, e o mero cumprimento da pensa imposta pela justiça esportiva não é argumento suficiente para reintegrá-lo na equipe, onde poderá ser uma espécie de “laranja podre no cesto”. O débito moral para com o clube e a torcida não serão apagados. Com que confiança o veremos em campo se for reintegrado e voltar a receber cartões em punição? Os mesmos que hoje o querem provavelmente não estarão entre os que o vaiarão e pedirão a sua saída? E como o elenco o receberá sabendo o que fez? É notório que ele não sabe controlar as emoções, tanto que em 2022 recebeu nada menos do que doze cartões amarelos (fonte Transfermarkt). Isso sendo atacante, quando sabemos que infrações que levam a tais punições são comumente praticadas por zagueiros e volantes.
E amigos, o Manga não é “a última bolacha do pacote”, nem o salvador que, segundo alguns, por si só nos permitiria o acesso à primeira divisão, conquista que exigirá muito mais em face da fraca equipe que temos. Sua eventual reintegração não é certeza de que ajudará um pouco a equipe, no cálculo do lucro e prejuízo penso que este último pesará mais.
O Coritiba errou ao não o dispensar tão logo condenado pela justiça desportiva, quando poderia fazê-lo até mesmo por justa causa, mas sempre é tempo de corrigir equívocos, como agora parece que ocorrerá. E não se fale em dupla punição, pois uma foi na via da jurisdição esportiva e a outra será na esfera administrativa, devendo prevalecer o entendimento do empregador quanto aos valores que entende adequados para o clube.
Observe-se, por fim, que ao que se deduz do noticiário Carlos Amodeo quer o Manga e o Autuori não. Como até há pouco se gritava “fora Amodeo”, melhor ficar com a postura de um profissional que sabidamente entende de futebol do que com a de um “gestor” que muito mais errou do que acertou.
Antes do Manga, e maior do que ele, o clube.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
Ver comentários (40)
