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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Coragem e confiança.

O Coritiba deu um importante passo para a busca do saneamento de suas finanças, há muito abaladas e agravadas nas últimas gestões, com o pedido de recuperação judicial já amplamente noticiado, e, pelo que vi das redes sociais, bem recebido pela torcida.

Foi um ato de coragem da atual administração que, ao contrário das vincendas que se limitaram a “empurrar com a barriga” o passivo de modo a cada vez mais acumulá-lo, tomou uma atitude honesta. A recuperação judicial, vou falar em termos bem simples, mesmo porque há muito abandonei a leitura de códigos e leis, nada mais é do que uma demonstração de seriedade de propósitos. Leva-se a juízo o conhecimento do estado financeiro da empresa, no caso do clube, mostrando que com o que arrecada e pode arrecadar em curto prazo não tem ela como atender a todos e nem prosseguir com suas atividades. Daí é que se propõem prazos e formas de pagamento, de modo a que um dia todos possam estar atendidos e o clube volte a ter capacidade de investir. Se não fosse assim, logo adiante seria a ruína do clube e a insatisfação dos credores.

Como disse antes, senti que a repercussão entre a torcida foi boa, e isso deve ser creditado fundamentalmente à confiança nas pessoas do presidente Juarez Moraes e Silva e seus companheiros de direção. Medidas de choque, seja na economia, na política ou no esporte, dificilmente têm sucesso se não estiverem no seu comando líderes confiáveis, como é o caso dos abnegados atuais dirigentes do Coritiba. Eu, aqui da planície, mesmo sem estar no dia-a-dia do clube, estou convencido e confiante de que esse pessoal – ainda que traumatizado de início pela perda do líder Renato Follador – chegou no Coritiba no momento certo e está sabendo nos dar novos rumos. Não esqueçamos, ainda que sejamos passionais e queiramos sucesso imediato, que depois de tudo que o clube passou a nossa recuperação deverá ser gradual e segura. Importante, no momento, é que estamos resgatando a nossa autoestima e sabendo buscar o reequilíbrio administrativo e financeiro. Se vierem bons resultados no futebol a curto ou médio prazos, melhor, mas temos que compreender que não será do dia para a noite que voltaremos a ver aquele Coritiba que gerações como a minha viveram.

Sei que a torcida está indignada com a crônica de um ilustre jornalista rubro-negro e talvez esperasse uma palavra sobre ela. Digo só que a leitura me serviu para confirmar que foi uma medida acertada, a do Coritiba. Se quem não nos quer ver voltar ao poderio que já tivemos não gostou da providência, mais uma razão para crer que ela foi apropriada.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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