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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

De Guayquil a Caxias do Sul.

Ontem o torcedor do Coritiba ficou feliz e se regozijou ao ver o rival perder a final da Copa Libertadores, em jogo transmitido para toda a América e algumas outras partes do mundo. Logo após o jogo piadas e “memes” começaram a circular, divertindo os coxas-brancas.

Confesso que gostei também da derrota deles, pois se já está difícil alcança-los, ficaria bem mais com um título continental da expressão da Copa Libertadores
.
Mas vou entrar em um ponto que provavelmente irá desagradar a muitos dos amigos leitores, isso se eu não tomar pedradas.

A verdade é que eu queria estar no lugar deles ontem. Sujeitar-me-ia a todas as “secações” “memes” e sairia contente pois além de jogar quase de igual para igual, um vice-campeonato da Libertadores da América é algo a comemorar. Foram notícias na América e no Mundo e faturaram nada menos do que trinta milhões de reais só ontem.

Há tempo sabemos, embora muitos não queiram admitir, ou se admitem não querem dizer, que fomos ultrapassados no futebol paranaense e será necessário muito empenho e trabalho qualificado para que, no mínimo em cinco anos – ou realisticamente talvez mais – nos igualemos.

Vamos analisar somente este século, que foi quando o rival nos passou.

Neste período nós tivemos nove títulos estaduais e dois da série B, disputamos uma Libertadores da América caindo ainda no primeiro grupo e quatro sul-americanas, em três caindo na primeira fase e em uma na segunda.

Enquanto isso o rival conquistou um título nacional, duas copas sul-americanas, duas vezes vice da Libertadores da América, uma Copa do Brasil e oito títulos estaduais.

Além do mais, construiu um moderno estádio (sei, à custa de dinheiro público jamais devolvido), aumentou a sua torcida e se mantém financeiramente estável.

Enfim, muito temo que caminhar – correr mesmo – para voltarmos a ser aquele que um dia foi indiscutivelmente o maior do Paraná.

Enquanto isso, vamos de Guayaquil a Caixas do Sul, onde disputaremos a “nossa” Copa libertadores particular, buscando não um título e sim um resultado que nos mantenha pelo menos onde estamos.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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