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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

De volta à realidade.





Iludidos com duas boas vitórias sobre os atléticos, um tênue fio de esperança apareceu e nos indagamos se seria o início de uma redenção. Ontem, porém, voltamos à nossa triste realidade.



Um time individualmente ruim, agravado pela ação de um treinador que fez uma verdadeira “lambança” com as substituições.



É primário no futebol, não é necessário diploma para saber, que um bom time deve ter harmonia na distribuição dos seus integrantes, defensores, volantes e meias e atacantes. Perdendo o jogo pela contagem mínima, encher a equipe de atacantes é atitude simplória e de desespero. Ainda mais quando dois dos atacantes que entraram estão visivelmente acima do peso ideal para qualquer atleta – ia dizer gordos, mas agora é politicamente incorreto usar a palavra – mais parecendo personagens de pelada de final de semana entre solteiros e casados.



Um bom treinador pode tirar algo de positivo de um elenco ruim, um mau treinador pode atrapalhar um bom elenco, mas quando se juntam elenco fraco e treinador despreparado, não há o que salve.



Não vejo solução a curto prazo. A médio e longo prazos o caminho deve começar pela substituição do tal “head” Arthur Moraes, pela contratação de um treinador que dê estabilidade ao time (não precisa ser um nome de ponta, basta que seja inteligente e conheça futebol) e, claro, pela renovação do elenco que majoritariamente deve ser mudado, ainda que alguns contratos tenham inexplicavelmente longo prazo como, por exemplo, Fransergio que teremos que aturar até o final de 2026.



Vou ficando por aqui, registrando duas decisões que tomei ontem.



Quando o prêmio da mega-sena estiver acumulado eu vou jogar, e se ganhar comprarei os direitos federativos do Robson para doá-lo a qualquer clube, só assim para evitar que jogue, ou melhor, que entre em campo.



A outra é quanto a não mais me entusiasmar e iludir com o time neste campeonato. Se por um milagre fantástico, o time começar a ganhar, vou continuar desconfiado e com um pé atrás até o fim do campeonato. É a realidade, não dá para fantasiar.





Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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