Desespero.
Na desgraça todos apontam culpados e ninguém quer ser o pai de criança feia.
Digo isso por que, vivendo o Coritiba um dos piores – senão o pior – momento de sua história, nas redes sociais abundam postagens acusando como culpados os que encaminharam a constituição da SAF e os que votaram a favor.
Pois eu e 98% do quadro social votamos favoravelmente. Fui um entusiasta, tentei convencer através dos meus textos, lembrando trecho de uma coluna na época: “Se a estabilização do clube depende da quitação das dívidas e do aporte de novas receitas, certamente isso se refletirá no futebol propriamente dito, sem contar no patrimônio com a renovação do nosso estádio e do Centro de Treinamentos. Ou seja, em médio e longo prazo sucesso do clube”.
Depois de aproximadamente um ano e meio, para não dizer que estou arrependido digo que no mínimo estou muito decepcionado, pois não era essa a SAF que nos prometeram e que esperávamos.
Primeiro não é ela nada transparente, nem mesmo sabemos quem está no comando, afinal a Treecorp é uma ficção jurídica, constituída por pessoas naturais até agora desconhecidas. Veja-se que no Botafogo, cujo sucesso no futebol vem desde a sua SAF, sabemos que um dos principais comandantes é o John Textor; no Cruzeiro, que neste ano também está indo bem no futebol, é o torcedor Pedro Lourenço; e no Bahia, igualmente também com boa campanha e com a dívida quase zerada pela SAF conforme GE, aparece o nome do Ferran Soriano, representante do grupo City. O Vasco tem uma situação um tanto nebulosa, com disputa judicial pelo comando, não podendo ser parâmetro.
E não sabemos o quanto já foi investido e quanto será efetivado do prometido. Debatendo essa falta de transparência com um respeitado prócer do atual Coritiba, respondeu-me ele que o balanço foi publicado em abril, conforme obrigação da CVM. Mas a torcida do Coritiba, eu incluído, deve ter raros membros que entendam de análise de balanço, tema que para alguém ser apto deve fazer um curso. Balanço publicado é transparência formal e legal, sim, mas para o público deve vir debulhado e explicado.
Enfim, como diz a nota recém-publicada do Conselho Deliberativo, se há progresso em algumas áreas administrativas do clube, no futebol a SAF está sendo um fracasso (desde o ano passado, complemento). Disse o ex-presidente Wilson Ribeiro de Andrade, o representante da associação perante a SAF, que ” se não contratarem imediatamente de quatro a cinco reforços nessa janela, o time não sobe e vai brigar para não cair” (Banda B). Pois eu temo que mesmo assim na melhor das hipóteses ficaremos na série B, pois muito tempo e pontos irrecuperáveis foram perdidos.
Aguardemos que a iniciativa do CD sacuda quem comanda a SAF e gere frutos rapidamente, pois o furo da bala está aí, no alto comando. De nada adianta torcedores irem ao CT cobrar dos jogadores, pois, tecnicamente fracos como são em maioria, é perda de tempo. Pedir raça, peitar os atletas ao ponto de ficarem temerosos é desespero, não funciona, até porque esforço não falta para o time, falta é um mínimo futebol. E menos ainda funcionam ameaças de morte conforme pichação feita de ontem para hoje no Couto Pereira. Não podemos pedir calma aos torcedores quanto ao desespero que toma conta, vendo o clube em 14º lugar e a dois pontos da zona de rebaixamento, com risco de nela entrar dependendo dos resultados da rodada. Mas há que saber protestar e a quem dirigir os protestos, primordialmente para a direção do grupo que nos prometeu o céu e está nos levando ao inferno. Em meio aos protestos, apoio ao CD, único órgão capaz de agir formalmente pela correção de tantos erros.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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