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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Dois mundos.


Ontem assisti ao jogo do Coritiba contra o potente Vitória da Conquista, da Bahia. Finda a partida, passada meia hora de reflexão e desalento, resolvi “secar” o rival no seu jogo pela Copa Libertadores da América.

Não há como dissociar os dois jogos. A rivalidade e o momento que ambos vivem impõem a análise.

Pois se há um mundo do futebol, ontem vivi em dois.

Um mundo diante de um jogo sofrível, entre duas equipes equivalentes na falta de qualidade, em gramado precário e perante público diminuto. Não seria demais dizer que a equipe com menor colocação – bem distante - no ranking da CBF por pouco não resultou vencedora e não haveria injustiça se assim ocorresse. Um time que, por exemplo, insiste com o totalmente improdutivo Carlinhos, cujo treinador vê como solução para a carente meia cancha o pesado e atécnico Edinho, não pode ir longe mesmo.

Terminado o jogo, mais do que tristeza senti desânimo. Termina ano e entra ano e é a mesma coisa. O Coritiba patina, não se ergue, se classifica até determinada fase das disputas algumas vezes por sorte, e nós continuamos a viver de esperança. Mas se a esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo, segundo Voltaire, cada vez temos menos esperança e mais medo.

Enquanto isso, para nosso desalento, mas para comparação que deveria servir para mexer com os brios da nossa ineficiente diretoria, em outro mundo o rival participava de um dos dois maiores campeonatos de futebol do mundo, em um grande estádio e contra um verdadeiramente valoroso adversário que só não venceu porque “tremeu” na decisão por pênaltis.

Como disse ao início, não há como dissociar os fatos. Dois jogos que foram reflexo do estado e coisas que vivemos. O rival paulatinamente crescendo e nós cada vez mais frustrando a torcida por fracassos e falta de expectativa.

Já disse outras vezes aqui, que gostaria muito de voltar a escrever sobre conquistas do Coritiba, através de bons times formados de modo inteligente e de tecer elogios a dirigentes. Mas há muito não consigo. Os eternos otimistas não digam que sou pessimista, sou apenas realista e vejo, através dos comentários neste espaço e em redes sociais das quais participo, que o número dos desencantados está cada vez maior.

Esclarecimento.

Na coluna anterior “Feito de bobos”, ao me referir sobre o desmanche da diretoria do Coritiba, o G5 original, afirmei que um dos vice-presidentes renunciara sem dar explicações.

Recebi cavalheiresca manifestação do ex-vice-presidente Ricardo Guerra, na qual rebate meu comentário, dizendo que levou a público as suas razões e indicando onde poderia encontrá-las, o que pode ser visto aqui.

Em que pese na sua primeira fala o Dr. Ricardo não tenha deixado bem clara a motivação da saída (aqui), eu não tinha conhecimento das manifestações posteriores, certamente por falha minha pois procuro ler tudo o que encontra na Internet sobre o Coritiba e não vi aquelas matérias, nas quais se vê que sobradas razões levaram à decisão.

Ficam aqui os esclarecimentos, com meus respeitos ao Dr. Ricardo Guerra, um coxa-branca dos grandes.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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