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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

E quando agosto chegar?



Tivemos um bom resultado contra o Paraná Clube, mas nem por isso os pontos conquistados afastaram a convicção de que temos um time muito limitado.

Há quem peça compreensão pelo fato de a equipe estar sem jogar há alguns meses, o que é aceitável, mas tão somente no que se refere à condição física. Qualificação técnica quem tem mostra independente de ter forças para correr durante todo o jogo, ainda que seja só por alguns momentos, o que não se viu ontem.

Queremos nos entusiasmar, fazer um discurso otimista, tentar crer que esse time tem futuro, mas pensar assim é tentar se iludir, meus amigos.

Lanço uma questão para debate. Dentre os jogadores que se apresentaram ontem, quais os leitores veem como com nível técnico para formar time que aspire um pouco na série A do campeonato nacional? Compor grupo talvez um ou outro, mas alguém confia que algum dentre os que ontem vestiram a camisa do Coritiba ontem possa se dar bem na disputa nacional?

Penso que dos que se apresentaram ontem somente o menino Nathanael tenha potencial para se firmar, o que ainda deve ser confirmado. A boa apresentação do Willian Matheus deve ser reconhecida, mas sabemos do seu histórico de altos e baixos, mais estes do que aqueles.

Os homens do meio campo – Gabriel (o pior), Nathan Silva e Thiago Lopes – não tem a menor condição nem mesmo de integrar elenco de um time que deseja mais do que não ser rebaixado na série A. O primeiro cansou de errar passes e de perder bola. Nathan Silva pouco errou, mas porque de quase nada participou, esteve ausente do jogo. E o Tiago Lopes, bem, o que dizer desse rapaz cuja maior qualificação deve ser a de ter um padrinho forte?

A zaga normalmente é absolvida quando o time não toma gols, mas não se pode negar que ainda não inspira confiança, até porque o Sabino, que um dia pareceu ser o nome certo, há algum tempo vem se dando mal.

Na frente, com Robson, e a eterna promessa que não se confirma, o Igor Jesus, as esperanças de gols não são nada animadoras.

E o Rafinha está naquela condição do provérbio “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. É o melhor tecnicamente, mas será que o seu futebol está no nível exigido para o campeonato nacional? E com 37 anos de idade, como aguentará os sucessivos jogos que vêm pela frente?

E não podemos esquecer quem comanda o time em campo...

Enfim amigos, podem me tachar de exigente demais ou até de pessimista, mas o que vi ontem, quando lembranças dos últimos tempos vieram à tona, não traz esperança. Talvez conquistemos o campeonato estadual, o nível técnico dos demais times é o mesmo, mas e quando agosto vier com o campeonato nacional?

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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