Em casa onde falta pão,todos gritam e ninguém tem razão.
O treinador (não é técnico, outro dia explico porque faço a diferença), depois de mais de dois meses no comando, alcançando poucos empates e no mais só derrotas, veio a público para dizer que os seus atletas são desqualificados e indolentes, umas ovelhinhas, em suas palavras.
Todos nós sabemos disso, embora seja injusto colocar todos os jogadores no mesmo balaio, mas não é certo vir o comandante do plantel, aquele que teria obrigação de dar ao time uma formação tática que nunca vimos, e especialmente de motivar os jogadores, tentar fazer essa clara transferência de culpa. Robson, Pinho, Zé Roberto, Bruno Vianna et ali são fracos? Sim, mas não são a causa única dos maus resultados, para eles concorrendo o treinador que, estamos cansados de ver, faz lambanças na escalação e mais ainda nas substituições.
E agora, com que liderança o treinador vai comandar os jogadores nos treinos e nos jogos? Esses, ainda que seja certo de que na maioria são mesmo “pangarés”, devem ter ficado sentidos em serem expostos deste modo. Tudo isso poderia ser dito em reunião fechada e não em público, em clara tentativa de transferir as responsabilidades. Não tenho dúvida de que com tal atitude ele “perdeu o vestiário” como se diz no futebol.
E não dá para esquecer que já tentou transferir a responsabilidade para a torcida, atitudes que mostram distorção de caráter.
Também muito inapropriada a atitude do dirigente Artur Moraes em apoiar a fala do treinador e convidar os insatisfeitos a pedirem as contas. Isso não é conduta de quem dirige e deve liderar pessoal, em qualquer área profissional.
Vejam que não estou desculpando os maus e às vezes indolentes jogadores, mas roupa suja se lava em casa, diz a sabedoria popular, assim como diz que em casa onde falta pão (os resultados), todos gritam e ninguém tem razão.
Alguém deveria controlar essa situação, mas pelo que se tem visto o Coritiba não tem nenhuma liderança forte, seja em campo, na diretoria ou na SAF.
Infelizmente o futuro do clube neste ano cada vez mais se aproxima da catástrofe.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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