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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Em nome do Krüger.



Uma noite memorável.

A começar pela emocionante homenagem ao Krüger, o eterno e o imortal jogador do Coritiba que em campo viveu uma das nossas melhores fases na história. A organização da homenagem foi muito bem feita e a torcida – o nosso maior patrimônio – fez uma festa inesquecível. Não tenho vergonha de confessar que quase fui às lágrimas.

E em campo o time não decepcionou, honrou a memória do Krüger, apresentando-se muito bem. O time todo correspondeu – e hoje é daqueles dias em que não cabe buscar eventuais falhas – com destaque para Alan Costa, Vítor Carvalho e Patrick Bley, e claro, o Rodrigão, que não se contentou em fazer dois gols como fez um em jogada marcante e por pouco não fez outro por ter sido impedido pelo travessão.

Tudo em nome do Krüger.

É importante observar o simbolismo do passamento do Krüger. Em poucos dias, após enfrentar a humilhação de ter que entregar a taça com o seu nome ao maior rival, sofreu obstrução intestinal ainda consequente ao acidente (?) com o goleiro do Água Verde em 1970. Aparentemente recuperado, veio a falecer dias depois em decorrência de infarto. Um fato uns dias antes da Páscoa e a morte poucos dias depois.

O meu filho Alexandre, um excelente letrista de músicas, disse-me que “o Krüger morreu para salvar o Coritiba”.

Espero que ele esteja certo. Se a direção do clube, que até agora não mostrou bons resultados – com ressalva para a organização da festa de hoje – souber aproveitar o momento e a força da grande massa coritibana como vista hoje no estádio, a morte do Flecha Loira poderá ser o início da nossa ressurreição. Temos um enorme potencial que tem sido desperdiçado. É o momento de buscar sinergia entre o time e a torcida, com estratégias de marketing que nos tragam receitas e presença da torcida para nos ajudar a conquistar vitórias.

A direção não tem correspondido? O time não é o dos sonhos? Vamos então nós, torcedores, carregar o time enchendo o estádio e gritando como hoje. A lembrança do Krüger não poderá fugir de nossas mentes e em homenagem a ele temos que conquistar o acesso à primeira divisão.

Vencemos hoje o primeiro de 38 jogos. O caminho é longo e árduo. Tropeçaremos algumas vezes, mas espero que sejam poucas. Se a equipe incorporar em todo o campeonato o espírito que hoje demonstrou, ou pelo menos parte dele, creio que podemos ter esperança de retornar à elite do futebol brasileiro.

Em nome do Krüger.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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