Encontrando culpados.
Concorreu muito para isso a teimosia do nosso técnico que, embora não dispusesse de grandes jogadores, sempre manteve posturas equivocadas, diria mesmo estranhas, pois usou muitas vezes alguns fora da posição e hoje fez transbordar o copo quando tirou o José Hugo, que até estava se saindo razoavelmente bem, para colocar em campo o Biro, ou seja, trocou alguém que poderia fazer gols ou jogadas para que acontecessem e usou um defensor tecnicamente limitado como se não quisesse vencer o jogo.
E sem dúvida não se afasta a responsabilidade da direção que demorou muito para ver o que todos viam, só agora tendo a atitude de impacto que vinha sendo cobrada, sem esquecer que errou ao trazer e manter o bem falante Renê Simões, que nada agregou e tem responsabilidade nas contratações de ilustres desconhecidos, enchendo o estoque do clube sem qualidade.
Enfim, finalmente uma parte da faxina da casa foi feita e agora é hora de reorganizá-la com a constituição de uma comissão técnica capaz, que saiba tirar o máximo proveito do plantel. Sugestões têm sido dadas nas redes sociais, algumas coerentes e outras delirantes, mas temos que aguardar que a escolha seja feita com serenidade. Temos que continuar a dar crédito de confiança à direção, ainda que com um olhar crítico quando necessário. Nada está perdido, ainda há tempo para mudar. Se o time se mostrou bem nas primeiras rodadas, certamente é porque um mínimo de potencial tem para fazer melhor.
Não posso ocultar o meu sentimento quanto a alguns comentários lançados no site acusando alguns integrantes do Coxanautas como se tivessem responsabilidade pela demora na troca da comissão técnica. Na verdade, embora não atingido diretamente, digo que fiquei estarrecido com a agressividade de alguns em relação aos meus confrades – hoje, frente ao teclado, se diz muitas coisas que “olho no olho” não se diria. O rancor demonstrado por alguns leitores, procurando encontrar culpados sem respeitar o sagrado direito de opinar, jamais poderá afetar a bonita história que o Coxanautas tem, reconhecida e respeitada inclusive por quem não é coxa-branca.
Com lucidez o leitor Rafael Scaravella escreveu: “Somos todos coxa, queremos o melhor para o time. Qual a dificuldade de aceitar as opiniões diferentes? Nisso consiste a democracia!”.
Vamos ter atitudes positivas, de modo harmônico e respeitador. Há uma frase atribuída a Voltaire que, depois de ler um livro de Rosseau, teria dito: “Posso não concordar com uma única palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-la”. É assim que temos que nos conduzir nas relações sociais quanto à diversidade de pensamento, debater, discordar, mas sempre respeitando a liberdade de opinião de cada um. Vamos focar no Coritiba, contribuindo para que se recupere e volte a crescer, tal como o Coxanautas há mais de vinte anos vem fazendo, sendo parte da história do nosso clube.
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Postei a coluna e minutos depois recebi a notícia de que o novo técnico será Guto Ferreira, que traz com ele auxiliares.
Seja bem-vindo e boa sorte.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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