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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Erros e acertos.


Ontem, em comparação com jogos anteriores, o Coritiba se saiu melhor. Muito mais pela atuação individual de alguns – em que pesem falhas de outros – do que por mostrar o que se denomina de padrão de jogo.

O lateral Sávio está confirmando a expectativa e, não fosse o time do Operário tão violento ao ponto de afastá-lo do jogo, certamente teria se destacado mais. O outro ala, Fabiano, mostrou um pouco mais do que nos jogos anteriores, mas ainda tem que crescer muito para ser confiável quando das competições nacionais. A dupla de zaga, que vinha se destacando, desta vez não foi a mesma, mostrando-se mal posicionada quando do segundo gol do Operário, sendo ponto positivo a marcação do gol pelo Sabino e as boas arrancadas que deu de modo ofensivo.

Na frente, Rodrigão foi bem, mas como estamos muito curtidos por fracassos no Coritiba, vamos aguardar que confirme ser o que mostrou ontem (antes diminuindo um pouco a barriga). Saiu-se razoavelmente o Iago, mas dele não se pode exigir mais e nem confiar para se manter no time se quisermos crescimento. Bem também o Giovani, do qual se pode esperar mais tão logo entre definitivamente em forma.

Mas ainda temos carências. João Vítor e Vítor Carvalho, especialmente este, não estão à altura do que exigimos. No primeiro gol do Operário, marcado por um volante, nenhum dos dois estava nem sequer próximo, deixando o adversário sem marcação. Se os zagueiros marcavam os atacantes, cabia àqueles marcar o volante que avançara. Nathan até agora ainda está na categoria de promessa, e espero que não seja um novo Alexandre Fávaro (lembram?), uma permanente expectativa que nunca se concretizou.

Por fim, na análise do elenco uma palavrinha sobre o Wilson. É um bom goleiro, já nos salvou inúmeras vezes, mas falhou ontem no segundo gol e na bola que perdeu e que só não resultou em gol por termos sido salvos pela trave. O modo como foi na bola quando do segundo gol lembrou muito o segundo gol da Chapecoense que nos derrubou para a segunda divisão (jogo, aliás, em que falhou também no primeiro gol). Tem crédito, mas tem que estar mais atento. Ah, e que não adquira o costume de dar parte de lesado cada vez que falha...

Enfim, é o que temos até agora. Ontem me pareceu a melhor apresentação do time neste ano, ressalvadas as falhas apontadas, mas estamos somente frente ao campeonato estadual. Se tivéssemos um técnico de verdade, talvez as perspectivas fossem melhores. Quinta-feira começa a Copa do Brasil e poderemos avaliar melhor o time, em que pese o adversário não ser nada expressivo. Aguardemos.



Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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