Esse é o Carpegiani.
Tem todo o direito de sair, e pela instabilidade que mostrou provavelmente não seria mesmo convidado a ficar.
Mas não poderia fazer esse anúncio somente para a direção do clube? Por que torná-lo público com o campeonato em momento crítico e o Coritiba ainda necessitando de alguns bons resultados para se livrar do rebaixamento? Como ficará o relacionamento com os atletas nos quatro jogos que faltam, sabendo eles que não mais o terão como comandante no próximo ano? Isso não pode provocar alguma instabilidade?
Em 1995, na tentativa para voltar à série A do campeonato nacional - depois do rebaixamento por “canetada” em 1989 - o Coritiba, sob o comando do Carpegiani, disputou a penúltima fase classificatória em uma chave com Mogi-Mirim, Remo e Ceará. Depois de três empates e uma derrota, esta para o Mogi-Mirim, o Coritiba somente se classificaria para a fase final se vencesse ao Remo e ao Ceará (em Fortaleza), necessitando contar ainda com tropeço do mesmo Remo perante o Mogi-Mirim na última rodada. Diante de tal situação, o técnico Carpegiani jogou um balde de água gelada nos seus atletas e ainda no vestiário, logo após a derrota, disse que não acreditava mais na possibilidade de o Coritiba subir à primeira divisão. Diz a história que ainda no vestiário o presidente Edson Mauad demitiu o Carpegiani e entregou o time aos cuidados do Krüger. O Coritiba então venceu ao Remo em casa e ao Ceará fora e, contando ainda com o tropeço daquele perante o Mogi-Mirim, avançou para a fase final na qual se sagrou vice-campeão, retornando à série A apesar do desânimo e do desestímulo do ex-técnico.
Esse é o Carpegiani que o Coritiba neste ano tirou do ostracismo. Espero que agora não jogue a toalha e ajude o Coritiba a se livrar do rebaixamento, se bem que a esta altura isso dependerá muito mais dos jogadores do que dele. Pelo menos que antes de sair ele escale os jogadores nas posições específicas de cada um, e do mesmo modo os substitua. Depois, que vá em paz tratar de campeonatos que entende que estão à sua altura e neles fazer as suas invenções.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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