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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Expectativas.

Vivemos, torcedores do Coritiba, momentos de grandes expectativas.

De um lado a enésima ocasião em que esperamos que o time se acerte, evolua e passe a ganhar os pontos necessários para se manter na série A do campeonato brasileiro, e de outro a proximidade das eleições que poderão ditar um novo caminho para o clube, conforme for o seu resultado.

A primeira expectativa, por tudo que vimos no campeonato até agora – ou melhor, neste ano – não é das mais confortáveis.

O time não é bem constituído, temos muitos jogadores que não estão à altura de qualquer equipe de maior ou mesmo de média grandeza. Novo técnico estreará no domingo, a esta altura certamente já conhecendo o elenco, e espera-se que coloque nos seus comandados um mínimo de padrão de jogo, com também um mínimo de erros individuais.

O jogo contra o internacional pode ser tanto o da “virada”, como o aprofundar da nossa queda. O adversário vem de um resultado ruim, contra o Corinthians, e uma má apresentação contra o Atlético-GO. Está sendo muito cobrado pela torcida e pela crônica, e certamente virá com todas as forças contra nós. A dúvida é sobre se o Coritiba jogará como contra o Palmeiras ou como contra o São Paulo, e se o Internacional confirmará que não consegue vencer os times de menor expressão que não se atiram para o ataque, tal como ocorreu contra o Ceará, Bahia e Goiás.

No tocante à segunda expectativa, já temos uma chapa registrada, a União Coxa, capitaneada pelo ex-dirigente Vialle, acompanhado de alguns nomes que já transitaram na direção, e outra anunciada, a Coritiba Ideal, comandada pelo ex-jogador e gestor Renato Follador, com a parceria de conhecidos empresários. Por enquanto, embora as notícias, a situação ainda não anunciou candidatura, o que é um alento.

Essa será uma das eleições mais importantes da história do Coritiba, pode ser um divisor de águas como diz a expressão comum. Os associados não podem se eximir de votar, mas se a eleição for presencial e não virtual como foi a assembleia para decidir sobre a alteração da data, dificilmente haverá comparecimento massivo.

Vou reproduzir argumentos que apresentei para alguns amigos envolvidos na disputa eleitoral sobre a importância e necessidade de votação virtual, processo que foi bem-sucedido quando da decisão sobre o adiamento ou não das eleições.

“Parece-me que se a lei não prevê, também não veda a assembleia virtual a qualquer momento. O prazo de sete meses que ela contém é para assembleias que devessem se realizar no período conforme disposto nos estatutos de cada entidade. Ou seja, se o estatuto do Coritiba dissesse que a eleição deveria acontecer em setembro, por exemplo, os mandatos vigentes ficariam prorrogados e a data prevista para a eleição em assembleia geral estendida por até sete meses.

No caso, não se tratando de assembleia prevista para o período abarcado pela lei, deve ser aplicado o “caput” do artigo 7ª, da Lei 14.030, especialmente nesta parte em que se refere a associações (condição jurídica do Coritiba) as quais “deverão observar as restrições à realização de reuniões e de assembleias presenciais até 31 de dezembro de 2020”.

Seria o caso, então, de aplicar-se o artigo 72, XXIII, do nosso estatuto, que prevê que o CD regulamente o processo eleitoral. Lembrando ainda que o que o artigo 60 do estatuto prevê é quanto a ser o voto individual, pessoal, secreto e direto, não sendo permitido por procuração, não referindo que deva ser através de presença física nas urnas. Ou seja, o CD pode dizer que a eleição será virtual, ou até mesmo mista como aconteceu em um dos exemplos que cito adiante.

Eleições virtuais vêm acontecendo desde muito antes da pandemia, como, no exemplo mais próximo a mim, aconteceu na Associação dos Magistrados do Brasil (com 14.000 membros) e na Associação dos Juízes do RGS, independente de lei que assim autorizasse, ambas em 2017 e a última também no final do ano passado. Veja-se que o S.C. Internacional fará as próximas eleições de modo misto, quem não puder comparecer votará via internet.

E outro ponto a ponderar é a máxima e dogma jurídico quanto a ser permitido ao particular tudo o que a lei não proíbe. Em não havendo no nosso estatuto exigência expressa de que a votação seja colhida através de presença física, e não havendo lei que proíba esse procedimento, estaria ele autorizado.

Salvo melhor entendimento, acho que seria uma boa medida, até porque o momento ainda exige cuidados – e até lá também – e muitos não irão comparecer para votar por segurança (especialmente os mais velhos e os que tenham alguma doença crônica).

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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