Farinha pouca, meu pirão primeiro.
Mas eis que, deixando de lado todos os aspectos positivos, a mídia destaca a punição que o clube sofreu da FIFA e a atitude mesquinha do Rafinha em querer impedir que o clube busque autorização judicial para solucionar a pendência que levou àquela penalização.
De um lado, um jogador que nunca teve identidade com o clube, mas nem por isso sem legitimidade para buscar o que lhe é devido, e de outro um ex-ídolo (para alguns) que embora tenha também o direito de ver o seu crédito satisfeito mostra total incompreensão com a situação do seu devedor, tentando opor obstáculo na busca de solução para a punição internacional. E obstáculo que, se não superado (a direção tem confiança de que o será), levará o clube a perder receitas e como corolário a ter dificuldades para cumprir os pagamentos a que se propôs no pedido de recuperação judicial.
Rafinha agiu como no ditado popular, “farinha pouca, meu pirão primeiro”, desprezando pontos objetivos referentes à necessidade de o clube melhorar as receitas, e subjetivos quanto ao amor que parte expressiva da torcida tem por ele e que até agora dizia ele ser recíproco. Até há pouco era um dos maiores salários do clube, embora sem mostrar mais o futebol que o consagrou nos anos 2010/2012, beijava o escudo e, se não tinha mais o mesmo futebol, certamente lutava muito em campo.
Mas então o cronista quer que o jogador não lute por seus direitos, como qualquer um? Não é isso, como já disse ele tem toda legitimidade e interesse em buscar receber o que lhe é devido. A questão é o modo como está procedendo, além de egoísta, pouco inteligente, pois, como já disse com propriedade o confrade Ricardo Honório, se a sua atitude obstar a quitação da dívida com o Cerutti e o levantamento da punição imposta pela FIFA, ficará muito difícil para o clube gerar novas receitas e honrar a proposta feita para recuperação judicial.
O comportamento do Rafinha – não sei se partiu dele ou de quem o assessora, provavelmente a segunda hipótese – também evoca a fábula popular da galinha dos ovos de ouro. Se o dinheiro não for usado com ele, que então não seja com ninguém, ainda que se “mate” quem pode gerar a receita para um dia tudo quitar.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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