Foi bom para você?
É difícil comentar a apresentação do Coritiba no atletiba quando, para quem não pôde ir ao estádio, só resta fazer deduções pelo que ouviu na transmissão radiofônica, pelas análises dos jornais e dos colegas de site e mesmo as dos leitores que fazem comentários durante os jogos (presumindo que estavam no estádio).
E o que se deduz disso é que quem venceu o clássico foi a nossa camisa, a nossa mística e o respeito que impomos a eles em quaisquer circunstâncias. Pelo que li e ouvi, foi uma apresentação apenas suficiente para a vitória, com o rival possuindo a bola por mais tempo e tendo boas oportunidades.
Vitória em atletiba é sempre algo a comemorar, seja qual tenha sido o contexto.
Posto isso, mesmo com a satisfação da vitória e do risco de sermos campeões estaduais, não podemos deixar de analisar que de um lado enfrentamos o time alternativo do rival e de outro que o nosso time continua sem nos entusiasmar e trazer esperança de que poderá melhorar para tentar o retorno à série A do campeonato nacional.
Talvez os novos contratados, algumas incógnitas para mim e uma quase certeza – Vinícius Kiss, que nem no Paraná se afirmou – possam trazer alguma melhora para o time. Talvez, pois a se repetirem as anteriores contratações ditas “pontuais” do até agora fracassado diretor de futebol, temo muito por novas decepções.
Temos vivido quase só de esperanças nos últimos anos, a maioria delas infundadas, mas mais uma vez vamos tentar sonhar e procurar não desmerecer os recém-chegados antes de vê-los. Uma questão que se apresenta é: se os novos contratados tiverem potencial, isso poderá ser aproveitado nas mãos do nosso inexperiente e inseguro técnico? Um excelente técnico consegue formar bons times mesmo sem jogadores de ponta (Ênio Andrade). Um técnico sem preparo consegue sucesso desde que com um time repleto de craques que por si sós levam o time ao sucesso (Carpegiani com o Flamengo campeão do mundo e Zagalo em 1970). Mas com jogadores fracos e um técnico igualmente, fica muito difícil.
Tudo bem, vamos dar mais um pouco de crédito. Mas nós, torcedores do Coritiba, estamos surrados e curtidos com tantas decepções, de modo que não há como deixar de olhar para o modo de administrar o clube sem um pé atrás.
Assim, como após uma noite de amor um dos parceiros não vê muito entusiasmo no outro, em razão da vitória no atletiba dentro de um contexto nada animador é de se perguntar: Foi bom para você?
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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