Logo COXAnautas

Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Fracassados.

Não vou comentar o papelão feito pelo Coritiba ontem, contra um time da terceira divisão do futebol brasileiro e cuja folha salarial talvez seja inferior ao que o fazendeiro Anderson receberá. Alguns confrades deste espaço já o fizeram e os comentários dos torcedores são eloquentes para por si só mostrar a revolta de que está tomada a torcida.

E não vou analisar a perspectiva para o atletiba, pois embora como sempre deseje uma boa vitória, se vier ela não deve servir para nos enganar e passar a pensar que esse time tem futuro.

Minha preocupação não é só com o momento, é com o futuro do Coritiba, o próximo o remoto.

O fracasso da atual direção do clube, já concretizado nos dois anos passados e se anunciando para se agravar neste, é evidente e indiscutível.

Nenhuma direção de clube de futebol pode ser sempre bem sucedida, o esporte é uma permanente gangorra. Nenhum dirigente passa para a história como total vencedor. Até o incensado Evangelino Neves, o maior vitorioso da história do Coritiba e do futebol paranaense – e um dos mais do Brasil – teve o seu período de fracasso na terceira gestão nos anos 1990, o que não apagou e nem tisnou a bela história que construiu de 1968 a 1985. Mas poucos são os que ficam registrados só como fracassados, como até agora é o caso da atual direção.

Temos um comando que, a continuar assim (e tudo indica que continuará), ao final da gestão nenhum saldo terá para apresentar e registrar na história do clube. Dirigentes honestos, mas sem dúvida fracassados, não dá para usar de eufemismos. Fracasso em um campeonato estadual com derrota para um modesto clube do interior e outro para o rival maior, em ambos os episódios sofrendo dez gols e não marcando nenhum. Fracasso na Copa do Brasil do ano passado com desclassificação em casa para o time então da série C, feito que conseguiu repetir ontem. Fracasso em ambos os campeonatos brasileiros nos quais fomos até as últimas rodadas lutando para evitar o rebaixamento. Contratação dos “chineses”, mico do Ronaldinho, indomáveis e por aí fomos e vamos.

E o que é pior, perdemos o protagonismo no futebol estadual para o rival maior, ao qual passamos a seguir nas iniciativas, o que leva à paulatina perda de personalidade do clube e da autoestima dos torcedores. E há quem pense, na direção, que deveríamos nos desfazer do nosso patrimônio para sanear as finanças do rival e nos tornarmos seus inquilinos. Ideia de quem não conhece a história, o potencial e o tamanho do clube. Voltarei a falar sobre isso.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
Ver comentários (23)
Link copiado para a área de transferência