Freud explicaria.
Quando jovem, além de coxa-branca apaixonado eu tinha sentimento de desprezo pelos adversários. Agora, com a serenidade que a experiência e a idade nos trazem, não deixei de ser apaixonado torcedor do Coritiba (fanático, não, pois fanatismo significa intolerância total e irracionalidade), mas me tornei um torcedor que tenta ser sereno, ainda que muitas vezes a paixão não permita (e isso é bom, é assim a vida de torcedor).
Por isso, quando um rival alcança uma conquista meritória, não tenho como deixar de admirá-lo e desejar que o Coritiba consiga igual façanha. Assim, procurando conter a minha paixão e dando vezo à racionalidade, caberia estar parabenizando o nosso oponente pela conquista de ontem.
Mas vendo hoje cedo o noticiário sobre a conquista de ontem, senti que não seria o caso, não é necessário, eles não estão felizes com o próprio time.
É que os jogadores do rival, como mostrou a mídia, em lugar de entoarem cânticos e loas pela conquista, cuidaram de gritar palavras de desprezo e desconsideração para com o Coritiba e a até o Paraná Clube. Não ficaram contentes porque ganharam, ficaram felizes porque os outros não tiveram ainda conquista igual.
Isso prova, na esteira de um sentimento que tenho há anos, que o rival não tem torcida, mas sim uma “anti-torcida”, qual seja são antes de tudo “anti-coxas”. Até em uma disputa no exterior, quando a grandeza desta - ainda que seja uma espécie de série B da Copa Libertadores da América - deveria dar lugar a ufanismo pelo próprio clube, a preocupação é com o Coritiba e Paraná Clube.
Certamente despertou neles o inconsciente reprimido e o que a psiquiatria chama de projeção. A alguns não importa a satisfação com os próprios méritos e conquistas, importa mais ver que os demais – notadamente aqueles a quem mais respeitamos – não alcancem o mesmo.
Sem dúvida Freud explicaria.
Mas de qualquer forma, como não tenho o mesmo sentimento de recalque e rancor, registro meus contidos cumprimentos pela conquista. E podem nos esperar, novos ares circulam pelo Alto da Glória.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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