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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Gabriel e Robson.

Mais uma vergonhosa apresentação do Coritiba, mantendo a regularidade de fracassos que começaram na primeira rodada. Penúltimo colocado, com horizonte próximo de passar para último, segunda pior defesa do campeonato com média de dois gols sofridos por partida e um dos piores ataques.

O que dizer de um time assim se não o que todos nós estamos dizendo há muito tempo?

Tivemos o que eu chamei de “canto do cisne” no começo do semestre, parecendo que sob o comando do Kosloski estávamos nos encaminhando para a redenção, mas logo a dura realidade se escancarou.

Em todos os setores o time é fraco e compromete, mas ontem dois jogadores se destacaram, Gabriel e Robson, mostrando-se os símbolos da má qualificação geral.

O goleiro, pelo “frango”, que talvez se pudesse atenuar já que os melhores goleiros os sofrem (lembram do gol do Internacional contra o Botafogo?). Mas não bastasse a falha, tivemos ainda que ver uma atuação estranha do arqueiro, digna dos melhores atores canastrões. Sofrido o gol, colocou a mão na coxa, onde seria a suposta lesão, e pediu para sair, como se o “peru” decorresse do ferimento. Depois, no banco de reservas, o repórter da transmissão disse que a alegada lesão fora na panturrilha...

Há algum tempo o Gabriel não dava segurança, especialmente no quesito de saída do gol. Não que saísse mal, na verdade ele não sai. Cruzamentos para a nossa área se não forem obstados pelos defensores resultam em perigo de gol, quando não gol marcado. O Gabriel não intervém nesses lances.

Um papelão de um jogador que se dizia era líder entre os companheiros.

E O Robson por ser o mesmo de sempre, notabilizado por muito mais perder do que fazer gols e ontem, não bastasse, cometeu o pênalti que gerou o primeiro gol do Fortaleza e chutou bisonhamente a penalidade máxima marcada em nosso favor. Um time no qual para alguns o Robson é destaque e esperança de gols sem dúvida teria que fracassar. A torcida do Fortaleza gritou o seu nome e o ovacionou, fato que ficará na história das bizarrices do futebol.

Ambos foram o retrato de um time fraco, sem personalidade e sem um mínimo do que conhecemos como prática de futebol. Infelizmente, como vinha ocorrendo com os anteriores, o treinador está concorrendo para que a fragilidade técnica dos atletas se mostre. É certo de que o material de que dispõe é de segundo quilate, mas insistir em esquema que não vem funcionando, quando o Coritiba deveria jogar conforme as suas limitações, ou seja, fechado, com o meio de campo mais povoado, e sem invenções como o comando para o Moreno jogar como um antigo ponta-esquerda.

Não consigo ser otimista como uns poucos que vejo ainda são. A série B está ali, é praticamente impossível que escapemos. A SAF ainda não disse a que veio e não há tempo para que faça algo diferente da mediocridade com que atuou nas contratações. O enfoque mereceria uma coluna exclusiva para mostrar pontualmente os erros dos dirigentes contratados, mas deixo para outra hora.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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