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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Gordura queimada.


Mais um jogo sem vitória, o sexto consecutivo, três deles empates em casa.

Para um time que pretendia disputar os primeiros lugares, como dizia a direção no início do campeonato, o caminho não é promissor. Vencer em casa é fundamental para qualquer equipe que deseje alguma conquista. Vencer todas é improvável, mas ao menos deve vencer a maioria das partidas e especialmente previsíveis, pois do contrário não há como fazer boa campanha.

Hoje a equipe começou muito mal, com destaque muito negativo para o Léo, que nem sequer dominar a bola sem adversário a acossar pareceu saber e deixou o time totalmente exposto pelo seu lado, exatamente por onde nasceu a jogada do primeiro gol do Vasco, quando a zaga também falhou na disputa da bola com o atacante.

Mal também o Galdezani que, como disse na coluna anterior, depois que foi definitivamente contratado esqueceu do futebol que havia nos encantado. E ele concorreu para o inesperado gol do empate do Vasco ao despachar para escanteio uma bola da qual poderia se livrar com facilidade já que não havia adversário perto (aliás, a bola ia em direção ao Márcio e o Galdezani se precipitou). Antes o Wilson se atrapalhou, contando com o concurso da falha de dois defensores que deixaram a bola mal ajeitada para ele. E depois, falhas graves de marcação quando da cobrança do escanteio, deixando o Wagner cabecear totalmente à vontade. Enfim, uma sucessão de erros e culpados na mesma oportunidade.

Inadmissível que o time conquiste o gol da virada aos 42 minutos da segunda etapa e não tenha sabido segurar o jogo por apenas quatro minutos! Desde criança, assistindo aos jogos do União Barigui (ainda existe?), ouvia a instrução da sabedoria popular: “bola para o mato, que o jogo é de campeonato”.

Apresentações positivas as do Anderson, Tomas Bastos e Neto Berola, que se saíram melhor dos que os substituídos, assim como a do Kléber que mostrou como é fundamental para o time. Lamentavelmente não vai jogar grande parte do resto do campeonato, mesmo que eventualmente seja reduzida a sua pena de suspensão.

O Coritiba hoje foi mais bravo (salvo a partir do segundo gol) do que técnico, mas isto é pouco. Se o time quer chegar a algum lugar que não seja o de mero coadjuvante para apenas se manter na primeira divisão, não pode deixar de somar a maioria dos pontos que disputa em casa e nem ter momentos de relaxamento como teve hoje ao final do jogo, assim como já ocorrera nos primeiros minutos do jogo com o Grêmio. E tem que voltar a vencer em casa já na próxima segunda-feira, contra o Sport, é indispensável. Os jogos subsequentes são contra o Avaí fora de casa, e em seguida o Fluminense no Couto. Em tese – em tese, porque em futebol e com o Coritiba nunca se sabe – todos são jogos onde a probabilidade de vitória é grande. É exigível que Coritiba consiga pelo menos sete pontos – não dá para se contentar com menos. Se tiver sucesso nesses três jogos poderá retomar forças e dar esperança de que poderemos aspirar uma boa classificação. Do contrário, estaremos no caminho de mais um ano como coadjuvantes.




Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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